De fruta, de gelo ou de leite. Quais os gelados mais saudáveis e os que fazem menos estragos na dieta

CNN Portugal , CNC
13 mai 2023, 10:00
Gelado caseiro

É importante dar atenção aos rótulos, pois há ingredientes que podem tornar um gelado num pecado para a alimentação. Mas há boas opções até para quem está a tentar perder peso

Com os dias a ficarem mais quentes, aumenta o consumo de gelados. Conhecer corretamente a sua composição é fundamental para quem quer uma opção mais saudável ou uma que não seja tão calórica.

As nutricionistas ouvidas pela CNN Portugal garantem que comer gelados pode não ser um pecado capital no que refere à alimentação, mas sugerem alguns truques e dicas para escolher os mais saudáveis ou aqueles que fazem menos estragos a quem segue uma dieta. 

“É importante saber escolher que gelados ingerimos”, avisa a nutricionista Mariana Abecasis.

Os gelados 100% à base de fruta são considerados, pelas especialistas, como a opção mais saudável. Ou seja, feitos apenas com purés de fruta e sumos de fruta naturais. Mas há, alerta Mariana Abecasis, um cuidado que se deve ter quando se compra um destes gelados. É importante ler bem o rótulo “porque alguns podem conter natas”. E os mais saudáveis são, diz, os gelados de fruta que não tenham estes ingredientes.

Em relação às diferentes frutas que podem estar no gelado, a nutricionista garante que a única diferença entre elas é o facto de algumas terem maior densidade calórica e, como tal, a influência que terão sobre o gelado será apenas o facto de este se tornar mais ou menos calórico. “Mas, no geral, todos os gelados de fruta são saudáveis.” sublinha.

Em alternativa aos gelados de fruta, os gelados de gelo e os de leite também são opções. “Os gelados de gelo são do tipo sorbet ou granizado”, diz Mariana Abecasis, explicando que mesmo sendo feitos à base de água podem ter alguns corantes e açúcar, mas por se apresentarem em quantidade pequenas acabam por ser uma alternativa relativamente saudável.

Já entre os de leite e os de nata, os primeiros parecem ser, de acordo com a especialista, uma melhor opção. Mas é importante perceber sempre a quantidade de gordura que têm, pois muitos dos que são feitos com leite têm também natas na sua composição. E aí “já não são tão interessantes ou tão clean (saudáveis) a nível nutricional porque vão ser mais ricos em gordura saturada”, aponta.

Um tipo de gelado que também pode ser considerado como uma alternativa saudável é o gelado vegan. Estes não levam natas ou leite, mas sim bebida vegetal, fruta, ou “natas” vegetais, como as natas de soja, por exemplo. Mas alguns gelados vegan podem também ter açúcar, alertam as nutricionistas.

A nutricionista Ágata Roquette também considera que "os vegan podem ser uma opção" para quem procura gelados que "façam menos mal". No entanto, deixa um alerta. “O problema de alguns produtos vegan ou sem glúten é que depois tiram uma parte desses ingredientes e aumentam noutra, para compensar a falta de sabor". Por isso, sugere que se leia "os rótulos para perceber se ficou um produto interessante”.

Aliás, um dos truques essenciais para escolher o gelado é sempre ler o rótulo. Segundo as nutricionistas, muitos são ricos em açúcares, gorduras e calorias e, portanto, é preciso olhar para as tabelas nutricionais e comparar os índices para, por exemplo, escolher o que tem menos quantidade de açúcar.

Mariana Abecasis garante, porém, que a alternativa mais saudável é mesmo fazer um gelado caseiro. “Idealmente, é o melhor. Sabemos exatamente a composição dos gelados que fazemos e não têm qualquer aditivo, conservante ou corantes. Sempre que possível devemos privilegiar os gelados feitos em casa".


Conselhos para quem está a fazer dieta, mas não resiste a um gelado

Mesmo quem está a fazer dieta para emagrecer, pode não precisar de eliminar totalmente os gelados da sua alimentação. Basta seguir certas regras, adianta a nutricionista Mariana Abecasis.

E também aqui, explica, os gelados caseiros estão entre os melhores aliados. Os que são feitos com 100% de fruta e os de gelo podem igualmente ser boas opções, desde que se tenha o cuidado de olhar para a quantidade de calorias ingeridas, diz.

Já a quantidade de gelados que podemos ingerir varia consoante o tipo de produto. “Depende do gelado. Se for daquelas forminhas pequeninas de compra e 100% de fruta, podem ser comidos dois a três por dia”, detalha a especialista, sublinhando que é preciso garantir que são mesmo feitos totalmente com fruta.

Caso sejam gelados açucarados ou ricos em natas, as regras devem mudar.  “Aconselho não um consumo diário mas, se calhar na altura do verão, cerca de dois gelados individuais por semana ”, sugere Mariana Abecasis.

Um dos truques para evitar o consumo excessivo é controlar as porções. “É preferível comprar gelados em porções individualizadas”, aponta, dando uma outra dica: quando se está a fazer dieta a opção de comer um gelado deve levar a um corte nas calorias de outros alimentos que se iriam consumir. Uma das possibilidades é consumir esse gelado em “substituição de um lanchinho, por exemplo”. Assim, nota, “existe uma substituição de calorias e não um aumento delas ao longo do dia”.

O mesmo diz a nutricionista Ágata Roquette, lembrando que quando se está a fazer dieta, não se deve em regra consumir gelados. Sempre que alguém opte por o fazer “tem de abrir mão de outras opções”. E dá um exemplo: “Vamos imaginar um lanche, por exemplo. Pode ser fruta, iogurte, frutos secos e, nesse caso, podemos trocar essas calorias por um gelado”, explica, dando nota de que essa opção tem, no entanto, consequências: “O gelado não tem é os benefícios da fruta, do iogurte e dos frutos secos.” E há outro senão: “Em termos calóricos, a coisa até pode ser relativamente compensada, a questão é que tem açúcares e os açúcares abrem o apetite. Ou seja, nesse dia, as pessoas vão comer muito mais ao fim do dia. O que significa que vão chegar a casa e têm muito mais apetite. Isto para quem está a perder peso não é bom”. Ágata Roquete deixa, aliás, o alerta: “Tudo o que é excesso de açúcares leva ao aumento do apetite.”

O conselho de Ágata Roquette passa por optar por gelados preferencialmente de fruta, baixos em açúcares e com poucas calorias: “Há uns de gelo interessantes, que são os picolés e há mesmo um de natas e de manga, que é o Solero, que também acaba por não ser assim tão mau. São apenas cinquenta calorias, que é mesmo muito pouco.”

Já a evitar são todos os gelados ricos em calorias: “Só aqueles boiões da Häagen-Dazs pequeninos de meio litro têm imensas calorias. Portanto, isto pode levar a grandes aumentos de peso.” sublinha.

A influência ou a contribuição para o aumento de peso está dependente, lembra por seu lado Mariana Abecasis, do tamanho do gelado e da sua composição. "Pode engordar se o gelado tiver caramelo, natas ou chocolate, bem como amendoim ou amêndoas”.

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