Candidato a presidente do Equador assassinado à saída de comício. Decretado estado de emergência

Agência Lusa , DCT, atualizado às 08:02
10 ago 2023, 07:09
Candidato a Presidente do Equador Fernando Villavicencio (Associated Press)

O homicídio de Villavicencio ocorre numa altura em que o país está a sofrer uma escalada de violência devido às ações do crime organizado.

O candidato a Presidente do Equador Fernando Villavicencio foi assassinado esta quarta-feira, baleado por desconhecidos ao sair de um comício de campanha numa área central da capital, Quito, informou o Governo.

O ministro do Interior, Juan Zapata, garantiu que o ataque foi realizado por assassinos contratados que também feriram outras pessoas.

Até ao momento, as autoridades não forneceram mais pormenores sobre o incidente, que ocorreu ao final da tarde, no exterior de um coliseu onde Villavicencio reunira com apoiantes no âmbito da campanha eleitoral para as eleições de 20 de agosto.

Villavicencio, identificado como um crítico do ex-Presidente Rafael Correa (2007-2017), deslocava-se com proteção policial face às ameaças que recebera semanas antes.

Segundo a imprensa local, agentes especiais estavam a investigar a possibilidade de um artefacto explosivo ter sido colocado no local onde o candidato realizava o evento de campanha.

O homicídio de Villavicencio ocorre numa altura em que o país está a sofrer uma escalada de violência devido às ações do crime organizado.

Todos os dias há múltiplas notícias de homicídios, extorsões, ataques com explosivos, entre outros crimes, que têm semeado o terror entre os equatorianos há mais de dois anos.

O Equador fechou 2022 com a maior taxa de mortes violentas da história, registando 25,32 por 100.000 habitantes, a grande maioria associada, segundo o Governo, ao crime organizado e ao tráfico de droga, que ganhou força na costa e transformou os portos em pontos de saída para a cocaína que chega à Europa e à América do Norte.

A luta contra a criminalidade é uma das principais promessas dos candidatos que aspiram a suceder ao conservador Guillermo Lasso como Presidente nas eleições gerais extraordinárias marcadas para domingo.

Para além de Villavicencio, são candidatos às eleições presidenciais o ambientalista Yaku Pérez, a antiga deputada Luisa González, o especialista em segurança Jan Topic, o ex-vice-Presidente Otto Sonnenholzner, o político Daniel Hervas, o empresário Daniel Noboa e o independente Bolívar Armijos.

Pelo menos nove feridos no atentado que matou candidato presidencial 

Pelo menos nove pessoas ficaram feridas no atentado que matou esta quarta-feira o candidato à presidência do Equador Fernando Villavicencio, no qual morreu também o suspeito do ataque após um tiroteio com os seguranças, segundo as autoridades.

Entre os feridos conta-se uma candidata a deputada e dois agentes policiais, informou o Ministério Público, que, juntamente com a polícia, está a recolher provas no local do crime e no centro médico para onde as vítimas foram transportadas.

O atentado ocorreu num comício realizado por Villavicencio num coliseu numa zona central e movimentada de Quito, onde um atirador desconhecido disparou contra o candidato a ocupar o lugar presidencial do Equador nas eleições gerais extraordinárias marcadas para 20 de agosto.

Os outros candidatos presidenciais manifestaram consternação e indignação pelo homicídio de Fernando Villavicencio e anunciaram a suspensão das ações de campanha.

Poucos minutos após a confirmação da morte do jornalista e antigo deputado, o Presidente do Equador, o conservador Guillermo Lasso, expressou também consternação pelo homicídio de Villavicencio e prometeu que o crime não ficará impune.

"Indignado e consternado com o assassínio do candidato presidencial Fernando Villavicencio. A minha solidariedade e condolências à esposa e filhas. Pela sua memória e pela sua luta, asseguro-vos que este crime não ficará impune", escreveu Lasso nas redes sociais.

"O crime organizado foi muito longe, mas vai-lhe cair todo o peso da lei", declarou o chefe de Estado, durante cujo mandato explodiu a maior crise de insegurança que o país já viveu, devido à proliferação e às ações violentas de grupos associados a máfias internacionais de tráfico de droga, segundo as autoridades.

Equador decreta estado de emergência

O Presidente do Equador, o conservador Guillermo Lasso, decretou esta quarta-feira à noite o estado de emergência no país durante 60 dias, após o homicídio do candidato presidencial Fernando Villavicencio.

Numa mensagem à nação após uma reunião do Gabinete de Segurança do Estado, Lasso afirmou que se vai manter a data das eleições gerais extraordinárias, agendadas para 20 de agosto, mas que serão destacados militares pelo país para assegurar a segurança dos eleitores.

 

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