Tempestades, frio, tornados, tremores de terra: porque o Rio Grande do Sul acumula tantos eventos climáticos

CNN Brasil , Bruno Laforéda e Victor Locatelida
14 mai, 12:34

Temperatura elevada dos oceanos e dos continentes pode intensificar os eventos climáticos

Desde o final de abril, o Rio Grande do Sul tem enfrentado fortes chuvas que já fizeram 147 mortos e 127 desaparecidos, de acordo com dados da Defesa Civil do Estado brasileiro, divulgados na tarde desta segunda-feira.

Além das tempestades, a região regista também outros eventos climáticos, como tremores de terra, ondas de frio e até tornados, como o que atingiu a zona rural da cidade de Gentil no sábado.

À CNN, Luiz Fernando dos Santos, meteorologista da Tempo OK, explicou porque motivo todos esses fenómenos acontecem ao mesmo tempo. Segundo o especialista, entre maio e junho grande parte do país está em condição de tempo seco, com exceção do Sul, que é uma das únicas regiões que recebe chuva.

Este ano, tanto a temperatura dos oceanos quanto a dos continentes está mais alta do que o normal, o que intensifica os eventos extremos.

“Falar em temperaturas elevadas é o mesmo que falar em energia, ou seja, a atmosfera está bastante energética, o que potencializa os eventos extremos (tempestades, ondas de calor, etc). Então, tudo o que deveria ser normal é potencializado pelo excesso de energia”, explica.

Na região central do Brasil, há um sistema de alta pressão intenso, enquanto no Sul as áreas de instabilidade e as frentes frias são barradas por essa área de alta pressão ao tentarem avançar para sudeste.

“Quando acontece o choque entre as instabilidades e a massa de ar seco, que estão potencializadas devido ao calor, aumenta o risco de transtornos, já que as nuvens carregadas que se formam com este impacto provocam chuvas ainda mais volumosas, tornados e ventanias. Enquanto a massa de ar seco não perder força, esse cenário vai repetir-se, concentrando as chuvas no sul”, esclarece ainda.

Fenómenos correlacionados

O especialista em meteorologia ressalta que os fenómenos estão correlacionados, e que quanto mais calor na atmosfera as regiões de alta pressão no interior do país ficam mais intensificadas.

Com a temperatura mais alta, ocorre o favorecimento da formação das nuvens de tempestade, chamadas de Cumulonimbus, que além de provocarem chuvas volumosas, causam rajadas de vento, queda de granizo e tornados.

"É importante lembrar que o El Niño, que se trata do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacifico, atuou até ao início de maio, e que “mesmo com a transição para a neutralidade na região do Pacífico, ainda há bastante energia na atmosfera, que leva um tempo para se dissipar.”

Posição geográfica

A posição geográfica em que se encontra o Estado gaúcho favorece os eventos climáticos, de acordo com Luiz Fernando. Isso porque as instabilidades que vêm do Pacífico passam pela Cordilheira dos Andes e intensificam-se ao se formar entre a Argentina e o Rio Grande do Sul.

“A alta pressão que se forma no interior do Brasil é tão ampla que “barra” as nuvens carregadas entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina”, complementa.

Por conta das fortes chuvas, 447 cidades do Estado já foram afetadas pelas enchentes.

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