Covid-19: França intensifica investigações a certificados de vacinação falsos

Agência Lusa , AG
18 dez 2021, 10:44
Certificado digital de vacinação
Certificado digital de vacinação

Foi identificado um caso de uma rede que recuperava identificadores de um website oficial para os vender, tendo gerado um lucro de dois milhões de euros

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A proliferação de certificados digitais falsos em França está a levar as autoridades a intensificar as investigações, tendo já abertos 400 inquéritos e detido mais de uma centena de pessoas, informaram este sábado as autoridades.

De acordo com a equipa do ministro do Interior francês, circulam em França 110 mil certificados digitais covid-19 falsos desde que o sistema foi introduzido no verão.

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Uma rede que recuperava os identificadores dos farmacêuticos no website da Ordem Nacional de Farmacêuticos conseguiu vender entre cinco mil e dez mil certificados falsos com um lucro de cerca de dois milhões de euros.

A ciber-investigação, que ainda está em curso, já identificou um casal, detido no início de dezembro, soube a AFP por uma fonte próxima do caso.

"Houve mais de uma centena de detenções das 400 investigações que começaram", disse na quinta-feira o ministro do Interior Gérald Darmanin. De acordo com a equipa do ministério do Interior, estas detenções visam tanto os utilizadores como as redes de tráfico.

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Diferentes formas de fazer a fraude

Vários modos de funcionamento foram identificados pelos investigadores, incluindo a compra de certificados de vacinação falsos na Internet e a utilização fraudulenta de um código QR atribuído a um terceiro.

As autoridades estão também a localizar profissionais de saúde ou agentes administrativos que fornecem certificados falsos.

"Assistimos a um forte aumento deste fenómeno desde o verão nas redes sociais, mas sem recrudescimento desde o não reembolso de testes para pessoas não vacinadas", disse à AFP o General Marc Boget, comandante da polícia do ciberespaço, encarregado de 200 investigações sobre certificados e que identificou cerca de 92 mil em circulação.

"Estamos a assistir a um 'modus operandi' cada vez mais elaborado onde os vigaristas modificam remotamente as palavras-passe dos profissionais de saúde e podem assim gerar certificados nos seus nomes", explicou o General Boget, que está a investigar em conjunto com o Gabinete Central de Luta contra as Violações Ambientais e de Saúde Pública.

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Redes que funcionam como crime organizado

Estas redes são semelhantes ao "crime organizado com recrutadores, cúmplices, traficantes, delinquentes com múltiplas cartas que exploram o desejo de alguns de não serem vacinados", de acordo com o general.

No departamento de Hérault, no sul da França, os ciber-investigadores prenderam um bombeiro e um fisioterapeuta, que serão julgados em fevereiro por fornecerem 123 falsos testes antigénicos negativos a cerca de 30 dos seus familiares.

Estas falsificações permitiram aos 35 destinatários realizar atividades ou "viagens de conforto" sujeitas à apresentação de um passe, de acordo com a polícia.

A utilização de um documento falso é uma infração que implica uma pena de prisão até três anos e uma multa de 45 mil euros.

Na região parisiense, um médico suspeito de vender pelo menos 220 certificados falsos - a mil euros cada - foi colocado em prisão preventiva no final de novembro, segundo o Ministério Público da cidade de Créteil.

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