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21 novembro 2022

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Cinco factos sobre um grande evento do dia (e no qual foi dito que o evento mais importante do ano não é a Ucrânia)

21 nov, 22:10

CNN Portugal International Summit contou com a presença de protagonistas públicos da vida de Portugal mas também com personalidades que marcam a história contemporânea mundial - como o histórico Bob Woodward

1. Bob Woodward a falar para o mundo

Donald Trump quer voltar à presidência dos Estados Unidos, depois de quatro anos na Casa Branca, período no qual teve de enfrentar o início da pandemia de covid-19 - numa gestão que se veio a revelar um fracasso. Não pela falta de aviso de Bob Woodward, o jornalista que foi um dos responsáveis pela revelação do escândalo Watergate, em 1972, e que acabou por levar à queda de Richard Nixon da presidência norte-americana.

Em conversa com Luís Costa Ribas, o jornalista revelou que avisou Donald Trump para a situação que o país poderia ter de enfrentar com a covid-19. Disse Bob Woodward que o cenário era “mau, grave”. “Não não, nós temos tudo controlado”, respondeu-lhe o então presidente Trump, que viria a fechar o mandato com o presidente do país em todo o mundo com mais casos e mortes provocados pela pandemia.

É nessa gestão que Bob Woodward vê semelhanças entre Richard Nixon e Donald Trump. O jornalista norte-americano comparou o discurso de ambos ao destacar um frase de Nixon, “nunca se esqueçam que a comunicação social é o inimigo”.

Para o jornalista, seja o presidente democrata ou republicano, o importante é que se perceba que nenhum dos partidos detém o monopólio da informação, não lhes restando outra solução: “têm de saber ouvir os seus conselheiros”.

2. Costa a falar para a Europa

A conversa era muito mais sobre o que se passa lá fora do que dentro de portas e António Costa aproveitou para se desviar de temas eventualmente mais polémicos, optando por centrar o discurso no papel da Europa e das organizações internacionais nas resoluções de conflitos, nomeadamente a guerra na Ucrânia.

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu que hoje “temos os Estados Unidos mais presentes na NATO do que nunca”, após um período onde a nação se encontrava a reavaliar a sua estratégia internacional. De igual modo, também “parece que o Brexit não existiu em termos de defesa e geoestratégia”, com o Reino Unido a manter a aliança com o Ocidente a esse nível.

Em dois entendimentos diferentes sobre o papel que a Turquia pode ter no cenário internacional, o chefe do Governo disse que há uma representatividade que deve ser alargada na Organização das Nações Unidas (ONU), algo que também entende acontecer com a Índia. Ao mesmo tempo, sublinhou António Costa, a União Europeia não reúne condições orçamentais para cumprir com as expectativas daqueles que queiram aderir ao projeto, alertando mesmo para um risco de implosão. O primeiro-ministro falava sobre a Turquia, mas ficou a dúvida sobre o que entende da adesão de países como a Ucrânia ou a Moldova, que tentam acelerar os processos para alargarem o grupo dos atuais 27.

Neste sentido, o primeiro-ministro destacou que “a Europa tem de se organizar mesmo em geometrias variáveis”. Embora António Costa tenha admitido a existência de países cuja integração significará a entrada no mercado interno - e “muitos deles não desejarão mais do que isso” -, sublinhou que haverá “outros que desejarão estar no nível de integração que hoje temos”.

3. Quest a falar para o planeta

Richard Quest, jornalista da CNN, entende que "as alterações climáticas são a notícia mais importante" que se pode cobrir, mesmo que tenha sido a invasão russa a dominar o espaço mediático desde fevereiro.

"Se eu vos dissesse que ia haver uma guerra na Europa e que ia ser a maior desde a Segunda Guerra Mundial, vocês não iam acreditar" mas "nós tínhamos de estar lá, tínhamos de mostrar", disse, explicando depois como foi abordado o tema desde o início em Atlanta. "Gastem o que quiserem para cobrir este evento", disse Ted Turner, fundador da CNN Internacional, confirmando uma grande aposta do canal na cobertura do conflito.

No entanto, "o ano de 2023 vai ser um ano muito difícil economicamente”, garantiu Richard Quest, “e é aqui que conseguimos boas histórias”.

Em reação à passada cimeira climática, a COP27, o jornalista criticou o funcionamento destes encontros. Neste tipo de eventos “as pessoas reúnem-se, definem um prazo, adiam o prazo, reúnem-se novamente e tentam chegar a acordo e, eventualmente, chega-se a um acordo que não satisfaz” plenamente nenhuma das partes envolvidas.

Um entendimento diferente de António Costa, já que o primeiro-ministro considerou "muito animador" que a COP27 tenha acabado "sem bloqueios": "o maior desafio civilizacional que temos é combater as alterações climáticas", argumentou, falando sobre as alterações climáticas e as transições energética e climática.

Também neste sentido, o primeiro-ministro defendeu a importância das energias renováveis e enalteceu a sua “enorme qualidade”. “Todos podem produzir energias renováveis”, destacou António Costa, embora ressalve que, por oposição, “os recursos naturais não estão tão bem distribuídos como está o sol ou a potência dos rios”. Neste sentido, para acelerar a autonomia é necessário acelerar essa transição, concluiu o primeiro-ministro.

4. Medina a falar para as almofadas de Centeno

O ministro das Finanças garante que Portugal mantém uma política orçamental neutra, nem expansionista nem de contração, algo que disse que "seria errado", sobretudo pelo "momento exigente" motivado pela "inflação mais alta de sempre", que se segue a uma crise provocada pela covid-19.

Ainda assim, e num rasgo de otimismo, Fernando Medina continua a prever um crescimento económico para 2023, defendendo que é necessário "encontrar a forma de mobilizarmos as forças que o país tem para passarmos um ano com menos dificuldades do que aquelas que se anteveem".

Admitindo algumas tensões com o Banco Central Europeu, Fernando Medina diz que não irá entrar “no discurso do passa-culpas”. Apesar de reconhecer a subida “muito rápida” das taxas de juro, bem como o seu peso nas famílias, o ministro das Finanças esclarece que, para colmatar este efeito, o Governo “já tomou algumas medidas”, como é o caso do decreto-lei que permite a renegociação do crédito à habitação sem penalizações para as famílias que estão a sofrer com a subida dos juros.

Fernando Medina sublinhou a importância de reduzir o peso da dívida pública portuguesa e afirmou mesmo que este é o seu objetivo na pasta das Finanças. "Aquilo que quero deixar como ministro das Finanças é que a dívida pública passe a ser um ativo nas condições de financiamento da economia."

E se esse objetivo se vier a concretizar, em grande parte começou com Mário Centeno - o primeiro a trazer para o governo de António Costa a necessidade de ter as "contas certas". O atual governador do Banco de Portugal deixou, segundo já foi dito por vários membros socialistas, incluindo pelo próprio primeiro-ministro, uma folga que permitiu a Portugal lidar com a crise provocada pela pandemia.

"O risco que corremos hoje é muito parecido com o que tínhamos em fevereiro e para o qual alertei. A inflação está a gastar as almofadas que conseguimos no período pré-covid. Mas estas almofadas não duram sempre e é aqui que o risco aparece. Temos mesmo que inverter esta tendência de crescimento da inflação", alertou Mário Centeno, que vê um conjunto de choques em várias frentes para a economia europeia: a recuperação da covid-19 ou a incerteza da recuperação da China.

5. Medina e Centeno a falarem para a celeuma

É uma das polémicas da atualidade e visa, em grande parte, o primeiro governo de António Costa, que já fez avançar um processo contra Carlos Costa, antigo governador do Banco de Portugal - que acusa o primeiro-ministro de ter exercido pressão para que Isabel dos Santos não saísse do BIC. Ora, se Mário Centeno admitiu que leu a publicação "em torno da palavra Centeno", tendo encontrado "coisas desapontantes", Fernando Medina disse mesmo que não leu nem vai ler o livro.

“Não li o livro todo, li o livro em torno da palavra Centeno. Encontrei coisas desapontantes mas não quero falar sobre isso. Tinha outra ideia de como se conta a verdade", disse o atual governador do Banco de Portugal, enquanto o ministro das Finanças se limitou a dizer que não queria comentar o assunto.

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