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21 novembro 2022

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Fernando Medina tem um objetivo como ministro das Finanças: que a dívida pública passe a ser um ativo para a economia portuguesa

21 nov, 13:57

Sobre o livro "O Governador", do jornalista Luís Rosa, Fernando Medina preferiu manter o silêncio: “Não li o livro, não o vou ler, nem quero comentar”

O ministro das Finanças, Fernando Medina, defendeu esta segunda-feira que ter uma política orçamental muito expansionista, no atual contexto, “seria errado”, destacando que a atual política não é nem expansionista nem de contração, mas sim neutra.

Em entrevista conduzida pelo jornalista Pedro Santos Guerreiro, na CNN Portugal Summit, Fernando Medina defendeu que "vivemos num momento exigente no sentido em que as dívidas públicas aumentaram. E a seguir a esta fase pós pandemia temos a inflação mais alta de sempre".

Questionado sobre o aumento das taxas de juro e a posição de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o assunto, Fernando Medina instou ao equilíbrio “porque no limite acabaríamos a ter uma inflação muito elevada e umas taxas de juro também elevadas". Por sua vez, o Presidente da República já salientou que este aumento é um erro.

Ainda assim, o ministro das Finanças reiterou que a previsão é que 2023 seja um ano de crescimento económico, e sublinha que a atual política orçamental não é nem expansionista, nem de contração, mas sim de base neutra. Questionado sobre se o país aguenta o atual ciclo inflacionista, Medina rematou que é necessário "encontrar a forma de mobilizarmos as forças que o país tem para passarmos um ano com menos dificuldades do que aquelas que se anteveem".

Admitindo algumas tensões com o Banco Central Europeu (BCE), Fernando Medina admite que não irá entrar “no discurso do passa culpas”. Apesar de reconhecer a subida “muito rápida” das taxas de juro, bem como o seu peso nas famílias, o ministro das Finanças esclarece que, para colmatar este efeito, o Governo “já tomou algumas medidas”, como é o caso do decreto-lei que permite a renegociação do crédito à habitação sem penalizações para as famílias que estão a sofrer com a subida dos juros.

Fernando Medina sublinhou a importância de reduzir o peso da dívida pública portuguesa e afirmou mesmo que este é o seu objetivo na pasta das Finanças. "Aquilo que quero deixar como ministro das Finanças é que a dívida pública passe a ser um ativo nas condições de financiamento da economia".

Quanto à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Medina explicou que quando se trata de verbas para investimento, “é preciso fazer estudos, projetos, concursos” e defendeu que, apesar de serem procedimentos que não podem ser dispensados numa sociedade democrática, tem de se “avaliar se são proporcionais”.

“Não li o livro, não o vou ler, nem quero comentar”. Medina reage ao livro “O Governador”

Questionado quanto à recente polémica com o livro “O Governador”, do jornalista Luís Rosa, Fernando Medina é perentório e esclarece que não leu o livro em questão, “nem o irei ler”. Na obra em causa, é feita uma acusação ao Governo e ao PS, que terão pressionado o antigo governador do Banco de Portugal (BdP) no caso que levou à resolução do Banif.

O ministro das Finanças garante ainda que não quer comentar o assunto, considerando que “se tivesse que comentar era dar a minha opinião sobre o mandato de Carlos Costa e a sua personalidade”.

Sobre uma passagem que diz que a Câmara de Lisboa, na altura presidida por Fernando Medina, impediu a realização de uma manifestação dos lesados do BES, o atual ministro das Finanças nega qualquer intervenção. "Não fazia a menor ideia de que isso aí estava. A relação entre os municípios e as manifestações já foi altamente criticada no meu mandato. (...) O meu entendimento é que as câmaras não têm o poder de proibir manifestações. O direito à manifestação sempre foi constitucionalmente válido. Portanto, isso deve ter sido só mais um equívoco desse livro que não li e não vou ler".

A passagem está nas páginas 374/375 do livro e diz o seguinte: "Isso não impediu que o PS desse um apoio silencioso aos lesados do GES, confundindo-os com os clientes do BES. Tal como não impediu que a Câmara Municipal de Lisboa liderada pelo PS autorizasse uma manifestação dos lesados à porta da residência privada de Carlos Costa em Lisboa, em vez de autorizar a mesma em frente à sede do Banco de Portugal." 

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