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O bigode de Vieira e os ‘bigodes’ que ele nos dá

14 abr, 10:35
Luís Filipe Vieira na TVI

Eu estava a ver o prolongamento do Real Madrid-Chelsea (2-3), esse jogo tão magnífico como o foi há dias o Manchester City-Liverpool (2-2) da Premier League, dominado pela sensação de que o futebol continua a valer a pena, quando jogadores, treinadores e até árbitros de excelência não pensam em mais nada senão em proteger o jogo nas suas mais diversas dimensões, e fiz um zapping até apanhar um… ALERTA CMtv.

Pensei em segundos que uma emissão de futebol, para merecer um separador de ‘ALERTA’, ou era para dar uma notícia de actualidade relacionada ou com a guerra da Ucrânia, eventualmente com a cena do metro ocorrida em Nova Iorque ou outro acontecimento relevante, até podia ser de futebol, mas não, o separador de ‘ALERTA’ foi para dar a ‘notícia’ de que o ex-presidente dos ‘encarnados’ havia… cortado o bigode.

“Espetáculo!” - como diria o FUTRE.

Esta coisa do bigode de LUÍS FILIPE VIEIRA tem que se lhe diga e o ex-presidente do Benfica chegou talvez à conclusão de que tem de mudar a imagem e esta mania de dar ‘bigodes’ em toda a gente.

Com a ajuda de RICARDO SALGADO começou por dar um ‘bigode’ nas reminiscências de um passado conturbado na Luz, quer com VALE E AZEVEDO, quer mesmo com MANUEL DAMÁSIO. E, mesmo quando foi acossado por JOSÉ VEIGA, acabou por direta ou indiretamente dar-lhe um ‘bigode’.

Outro ‘bigode’ foi aquele que VIEIRA deu em RUI RANGEL, que passou de opositor a aspirador das sensações e expectativas de VIEIRA. 

Este processo de rangelização de opositores do vierismo foi um processo que, às tantas, parecia magia. Alguns estão agora na Direção de RUI COSTA. 

Um ‘bigode’ bem aparado. Um grande trabalho de barbearia. 

Um trabalho limpinho, limpinho foi aquele que o colocou sempre num estado catatónico e amnésico quando passou a ser necessário dar explicações à D. República, vesga de tantos nós cegos que entretanto já levara.

Basta recuperar a imagem do beija-mão nos camarotes do Estádio da Luz e tanta gente de joelhos. Há quem se justifique como uma forma de não ir ao ginásio levantar o haltere do chão.

A prestação em São Bento, apesar de lhe estar subjacente a vontade de dar mais um ‘bigode’ nos deputados da nação, não foi tão capilar. 

E se a forma como se tornou um dos maiores devedores do Novo Banco não ficou totalmente escalpelizada, a tentativa de fazer passar a ideia de que o seu património não valia um caracol assemelhou-se a uma horrível fratura exposta, típica de acidentes brutais como este que protagonizou com o Estado e com a burrice dos contribuintes.

Outro ‘bigode’ foi aquele que quis infligir aos leitões da Bairrada, salvo seja, naqueles encontros brutos e espumosos em que acabam todos de palito na boca.

Pela boca morre o leitão (neste caso), mas o ‘bigode’ maior foi aquele que VIEIRA deu aos benfiquistas, cansados de tantos ‘bigodes’ dados por PINTO DA COSTA, muito propenso a todo o tipo de rapadelas, quando permitiu que o presidente do FC Porto fosse ao Estádio da Luz gravar. 

Uma gravação para a história, a servir de compreensão que, entre “bigodes” postiços, há sempre outros valores que se levantam (como os halteres). 

VIEIRA não precisa mais de bigode. O maior já ele infligiu ao Benfica e, noutro plano, a todos nós.

Ele tem consciência disso e, não satisfeito com a mudança de visual, porque a natureza nunca muda, já gizou um plano na barbearia segundo o qual é possível dar mais um ‘bigode’ na Justiça e, com ele, regressar ao Benfica e ‘tosquiar’ RUI COSTA.

Afinal, meus caros, o ALERTA justifica-se. O bigode de Vieira é mesmo notícia: num país de gente que gosta de viver no engano e de ser enganada. 

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