Borrell acusa Rússia de “grandes crimes de guerra”, mas um novo pacote de sanções ainda está longe

21 mar, 11:58
Josep Borrell e Augusto Santos Silva durante uma reunião do Conselho da União Europeia (AP)

Entre os 27 da União Europeia, surgem divisões entre quem quer mais sanções à Rússia e os que querem parar por agora

O Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, acusou a Rússia de cometer “grandes crimes de guerra” na Ucrânia, dando o exemplo da cidade de Mariupol, cercada desde há três semanas.

“A Rússia é culpada de grandes crimes de guerra, é esse o termo, tenho de o dizer. O que se está a passar em Mariupol é um crime de guerra em massa. Estão a destruir tudo, a bombardear e a matar todos, de uma forma indiscriminada. Isto é algo horrível que temos de condenar nos termos mais fortes. Não é uma guerra, é a destruição em massa de um país sem qualquer consideração pela lei da guerra", disse Borrell, à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Bruxelas.

A cidade no Mar de Azov tem sido palco dos mais intensos bombardeamentos sobre a população civil. As últimas estimativas das autoridades ucranianas apontam que 300 mil pessoas ainda estejam retidas em Mariupol, sem acesso a água, luz e aquecimento. As dificuldades de entendimento entre Rússia e Ucrânia para o estabelecimento de corredores humanitários a partir da cidade têm impedido a retirada de mais civis para além dos cerca de 40 mil que já escaparam.

Contudo, apesar de haver consenso no bloco dos 27 quanto à gravidade dos ataques indiscriminados da Rússia, alguns países, com a Alemanha à cabeça, não querem a imposição de mais sanções, pelo menos no período mais imediato.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, diz que a prioridade do momento é “fechar as lacunas existentes nas sanções já aplicadas”. A esta posição não será alheia a elevada dependência alemã do gás russo, numa altura em que vários países pretendem a imposição de sanções ao setor energético.

Um desses países é a Irlanda que, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Simon Coveney, considerou que seria “apropriado” aprovar um pacote de sanções sobre este setor. Outra das sanções propostas é o bloqueio dos portos da União Europeia aos navios russos, que conta já com o apoio da Dinamarca e dos países do Báltico, e que também teria implicações nas importações de petróleo e gás natural.

É precisamente dessa região que surge um aviso para os 27. Gabrielius Landsbergis, ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, pediu à União Europeia para não se “cansar” de aplicar sanções à Rússia.

“Não nos podemos cansar de impor sanções. Não nos podemos cansar de prestar assistência à Ucrânia”, afirmou.

Landsbergis disse também que a União Europeia tem de estar preparada para impor mais sanções "caso a Rússia escale as suas ações", e que o bloco dos 27 deve tornar claro que não deixará Vladimir Putin prosseguir com os seus planos.

Até ao momento, a União Europeia sancionou 877 indivíduos, incluindo o presidente russo, e 62 empresas, nomeadamente do setor financeiro. A relutância alemã significará, contudo, que estes números não deverão aumentar nos próximos dias.

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