"Se não forem lá, vou eu". Mãe desafiou a polícia e entrou na escola de Uvalde para salvar os filhos

4 jun, 20:04
Angeli Gomez (Facebook)

Foi algemada pela polícia mas isso não a impediu. Polícia ameaçou a mulher para não partilhar a história com a comunicação social

Angeli Gomez conseguiu resgatar os dois filhos da escola de Uvalde, no Texas, durante o massacre do dia 24 de maio. Pelo caminho foi ameaçada pelas autoridades, mas não cedeu.

A mãe contou à CBS News que tinha estado na Robb Elementary School no dia do massacre, num evento com os dois filhos, que estudam naquela escola. Quando o evento acabou, foi para o trabalho, sendo que poucas horas depois, assim que soube do que estava a acontecer, pegou no carro e dirigiu-se imediatamente para o local.

Estacionou sem pensar, num local próximo da escola. Quando saiu do carro, um polícia federal disse-lhe que não podia deixar ali a sua viatura. Angeli Gomez não cedeu.

O agente afirmou que a iriam algemar, por não estar a cooperar com as autoridades. Afirmações que, segundo a mulher, foram proferidas de forma agressiva. 

"Vão ter de me prender porque eu vou lá dentro. E digo-vos isso agora. Não vejo nenhum de vocês lá dentro. Estão aqui fora com armas e estão muito longe. Se não forem lá, vou eu", respondeu Gomez.

Assim que se acalmou e as autoridades lhe tiraram as algemas, Angeli Gomez não perdeu tempo: saltou uma cerca e correu em direção à escola. Uma corrida que fez sozinha, pela vida dos seus filhos. 

Lá dentro, diz que ouviu tiros, mas nada a deteve. Encontrou um dos filhos, levou-o consigo e foi procurar o outro. Quando o encontrou, correram os três para fora da escola. Conseguiram escapar a salvo.

Um final feliz para os três que não foi uma realidade para várias famílias. Angeli Gomez diz que ainda pensa nas 19 crianças e duas professoras que não sobreviveram e no que as autoridades podiam ter feito para as salvar.

Uma resposta lenta por parte das autoridades

A mãe revela que quando saiu da escola com os dois filhos ainda nenhum polícia tinha lá entrado, encontrando-se todos fora da instituição de ensino. Angeli Gomez teve tempo de chegar à escola, estacionar, ser algemada, fugir e resgatar os dois filhos sem que a polícia tivesse entrado na escola.

“Eles podiam ter salvado muitas mais vidas. Eles podiam ter entrado nas salas de aula e talvez duas ou três crianças teriam morrido, mas eles podiam ter salvado muitas crianças, a sala de aula toda. Eles podiam ter feito alguma coisa, entrar pela janela, atirar ao assassino pela janela. Algo, mas nada estava a ser feito”, afirmou à CBS News.

Angeli Gomez, que está em liberdade condicional devido a acusações de há dez anos, foi inclusivamente contactada pela polícia, que a avisou que se partilhasse a história com a comunicação social podia enfrentar uma acusação de violação da justiça.

São declarações que surgem depois de várias críticas à velocidade de resposta da polícia federal durante o massacre de 24 de maio. O The New York Times afirma que erros de comunicação feitos pelo chefe da polícia do distrito escolar de Uvalde, Pete Arredondo, podem ter sido a razão do atraso na resposta. 

Entre a chegada das autoridades ao local e a morte do atirador ocorreram mais de 45 minutos, que custaram a vida de 19 crianças e duas professoras

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