Quando os jogadores aproveitavam o Mundial para ir para o Algarve (e comer gelados)

21 nov, 08:04

A Máquina do Tempo viaja até 1998 para encontrar Luís Figo, Dominguez, Sá Pinto, entre outros atletas portugueses, de férias em Vilamoura, enquanto o mundo olhava para França.

As gerações mais novas são capazes de ter dificuldade em entendê-lo, mas houve uma altura em que o simples facto de Portugal ficar de fora de um Mundial de futebol não era escândalo nenhum. Pelo contrário, era apenas mais um dia no escritório.

Quando a Seleção Nacional, por exemplo, não se apurou para o Mundial 98, Portugal limitou-se a encolher os ombros e olhar para o Tejo. Afinal de contas era a altura da Expo 98. Tínhamos acabado de construir a maior ponte da Europa e tínhamos festejado com a maior feijoada do mundo.

Se isso não é sinónimo de felicidade, expliquem por favor ao chef Michel da Costa o que é.

Para além disso, nos últimos oito Mundiais antes daquele, em França, a Seleção tinha estado apenas em um: no México 86. Curiosamente uma competição de má memória, manchada por muitas guerras, guerrilhas e outras vergonhas. O que é mais uma razão para os portugueses se orgulharem da feijoada e esquecerem essa coisa da bola (ou como diria Pacheco Pereira, para se deixarem de futebóis).

Ora portanto, em junho de 1998, quem queria ver os internacionais portugueses só tinha de os procurar em Vilamoura.

Foi o que fez a TVI.

Enquanto os melhores do mundo jogavam em França, Luís Figo, Dominguez, Sá Pinto, entre outros, aproveitavam para gozar férias e acompanhar o Mundial pela televisão. Ou melhor, por um ecrã gigante. Neste caso colocado no bar de Figo, na marina de Vilamoura. Onde estava sempre Paulo China, também ele uma futura incontornável dos anos noventa.

Com ar de veraneantes e um gelado na mão, algumas das estrelas da Seleção Nacional aproveitaram para falar com a TVI, enquanto acompanhavam o Espanha-Paraguai. Luís Figo, por exemplo, não escondia que torcia pela Espanha, seleção na qual ainda tinha vários amigos (isto aconteceu, recorde-se, antes de se mudar para o Real Madrid): Abelardo, Sergi, Amor ou Celades, por exemplo.

O próprio Figo admitia que gostava de defrontar a Espanha num Mundial, mas reconhecia que Portugal não tinha feito o suficiente para se apurar para a fase final.

Em abono da verdade, porém, há que sublinhar nesta altura que foi esta geração que em 2000 chegou às meias-finais do Europeu, deixando pelo caminho seleções como a Inglaterra e a Alemanha. Foi também esta geração que nesse Euro 2000 deu início à melhor sequência da história da Seleção Nacional: já são doze grandes provas internacionais em que Portugal esteve sempre presente.

Mas isso é agora, porque naquela altura, em 1998, os Mundiais eram seguidos pela televisão e de gelado na mão.

Enquanto o país se orgulhava das suas feijoadas.

«Máquina do tempo» é uma rubrica do Maisfutebol que viaja ao passado, através do arquivo da TVI, para recuperar histórias curiosas ou marcantes dos últimos 30 anos do futebol português.

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