A delegação do FC Porto foi assaltada e Ricardo Araújo Pereira esteve lá

3 out, 08:02

«Máquina do tempo» recua a setembro de 1994 e recorda o dia em que a casa portista em Lisboa foi vítima de um roubo, curiosamente poucas horas depois de Iuran e Kulkov trocarem o Benfica pelas Antas.

Os arquivos da imprensa escondem verdadeiras relíquias. Por exemplo, no arquivo da TVI há relatos que a delegação do FC Porto na Avenida da República, em Lisboa, já foi assaltada.

Até aqui nada de novo, quem nunca?

No entanto, e por uma daqueles acasos felizes da vida, é possível também descobrir que o humorista Ricardo Araújo Pereira esteve lá. O que é que o homem, que professa o benfiquismo como um monge cartuxo professa o silêncio, fazia na delegação assaltada do FC Porto?

Muito fácil: reportagem.

Ricardo Araújo Pereira foi estagiário da TVI no início da carreira, depois de concluído o curso de Comunicação Social e Cultural, na Universidade Católica, e naquela manhã de 3 de setembro de 1994 - há quase 30 anos, portanto - foi destacado para fazer a notícia do assalto.

O país desportivo vivia nessa altura dias agitados.

Iuran e Kulkov eram um problema no balneário do Benfica, chegaram a acordo para rescindir contrato e pouco depois assinaram com o FC Porto. O que deixou os encarnados em polvorosa.

Manuel Damásio saiu então da trincheira para exigir ao FC Porto 500 mil contos. Dizia o presidente do Benfica que havia uma cláusula no contrato que impedia os russos de assinar por outro clube português: uma cláusula que nunca ninguém viu e por isso nunca nada foi pago.

Poucas horas depois de se saber da transferência dos russos para o FC Porto, curiosamente, a delegação do clube em Lisboa foi assaltada. Roubaram um vídeo, relógios e algum dinheiro.

Ricardo Araújo Pereira ainda não era jornalista, nunca o foi, mas já utilizava expressões como «ao que tudo indica» e «aparentemente».

Leu o texto com um profissionalismo assinalável, não se notando grande felicidade na voz. Mas um ouvido mais atento não deixará de registar o tom crítico quando diz que Pinto da Costa fez «mais um comentário com cheiro a regionalização».

O presidente do FC Porto, esse, lamentou a falta de segurança numa das mais importantes avenidas da capital da cultura – Lisboa foi em 1994 capital europeia da cultura -, aproveitando para troçar com o facto de o bloqueio de junho na Ponte 25 de Abril ter sido resolvido com uma carga policial sobre os manifestantes.

«Compreendo que as atenções das forças de segurança estejam todas voltadas para a Ponte 25 de Abril», atirou.

Ricardo Araújo Pereira ouviu, registou, colocou a declaração na peça e serviu a vingança.

«Coincidência ou não, o assalto teve lugar poucas horas depois de ter vindo a público a notícia do ingresso dos ex-benfiquistas no clube das Antas. E os adeptos do Porto não querem acreditar em coincidências.»

Que é como quem diz: pumbas, vocês ficaram com Iuran e Kulkov, mas nós ficamos com o vídeo e os relógios.

«Máquina do tempo» é uma rubrica do Maisfutebol que viaja ao passado, através do arquivo da TVI, para recuperar histórias curiosas ou marcantes dos últimos 30 anos do futebol português.

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