"Estou profundamente ciente dos deveres e responsabilidades". Rei Carlos III proclamado com o apoio do filho, o amor da mulher e a herança da mãe

10 set, 12:16

Cerimónia foi transmitida pela televisão pela primeira vez na história

"O reinado da minha mãe foi inigualável". Foi desta forma que Carlos III, o novo rei do Reino Unido, lembrou a mãe no dia da sua proclamação. Ladeado pela mulher, a agora rainha consorte Camila, e pelo filho William, o próximo a subir ao trono e que recebeu o título de príncipe de Gales, Carlos entrou na sala às 10:22 e tomou a palavra. Era hora de ouvir o rei, que começou, tal como na primeira parte da proclamação, por anunciar a morte da rainha Isabel II e agradecer o apoio recebido.

"O reinado da minha mãe foi inigualável na sua duração, dedicação e devoção. Mesmo quando sofremos, agradecemos pela sua vida mais fiel. Estou profundamente ciente desta profunda herança e dos deveres e pesadas responsabilidades que agora me são passados. Ao assumir estas responsabilidades, esforçar-me-ei para seguir o exemplo inspirador que me foi dado ao defender o governo constitucional e buscar a paz, a harmonia e a prosperidade dos povos dessas Ilhas e dos Reinos e Territórios da Commonwealth em todo o mundo", afirmou o agora monarca.

Num discurso em que prometeu ainda cumprir os deveres guiado pelo conselho do Parlamento eleito, Carlos III fez ainda um elogio à mulher que, por decisão da rainha Isabel II, recebeu o título de rainha consorte.

"Em tudo isto, sinto-me profundamente encorajado pelo apoio constante da minha amada esposa", afirmou.

O discurso de proclamação de Carlos III ficou ainda marcado pelo juramento de segurança perante a Igreja da Escócia, com o monarca a afirmar estar "pronto para fazê-lo nesta primeira oportunidade".

"Eu, Carlos III, pela Graça de Deus do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e dos meus outros Reinos e Territórios, rei, defensor da Fé, prometo e juro fielmente que manterei e preservarei inviolavelmente o Acordo da verdadeira Religião Protestante, conforme estabelecido pelas Leis feitas na Escócia no processo da Reivindicação de Direito e particularmente por um Ato intitulado 'Um Ato para garantir a Religião Protestante e o Governo da Igreja Presbiteriana' e pelos Atos aprovados no Parlamento de ambos os Reinos para a União dos dois Reinos, juntamente com o Governo, Adoração, Disciplina, Direitos e Privilégios da Igreja da Escócia. Que me ajude Deus".

Terminadas as declarações, o rei autorizou que as mesmas sejam tornadas públicas e declarou que o dia de funeral da rainha Isabel II deve ser feriado no Reino Unido.

Primeira parte da cerimónia

Pontualidade britânica e silêncio. Foi assim que ficou marcada a cerimónia que decorreu no palácio de St. James. À hora marcada, a presidente do Conselho de Ascensão, Penny Mordaunt, leu o anúncio da morte perante a plateia de 200 membros, entre os quais se incluíam os antigos primeiros-ministros Tony Blair, Gordon Brown, Boris Johnson, David Cameron e Theresa May.

Para além de Mordaunt, os membros que subiram ao palco da sala de proclamação foram Richard Tilbrook, secretário do Conselho Privado, a primeira-ministra Liz Truss, o arcebispo da Cantuária, William, o príncipe de Gales, e a rainha consorte Camila.

Findo o anúncio da morte da rainha, começou a proclamação. Richard Tilbrook, secretário do Conselho Privado, tomou o microfone e anunciou que "o príncipe Charles Philip Arthur George é agora, pela morte da nossa rainha, o único líder, Carlos III. Pela graça de Deus, do Reino Unido e da Irlanda do Norte, rei e herdeiro da Commonwealth".

A proclamação, que foi pela primeira vez transmitida na televisão, terminou com a exclamação "God save the King", que a audiência repetiu.

"God save the King" e vivas ao rei

Com toda a pompa e circunstância, e depois de assinadas todas as declarações (com a tinta dos tinteiros oferecidos pelos filhos William e Harry), foi hora do público ser informado de que o rei foi proclamado. E, por isso, surgiu na varanda o oficial de armas da Ordem da Jarreteira, David Vines White, que leu a primeira e principal Proclamação, antes de exclamar "God save the king". 

O público cantou vivas ao rei assim que terminou o hino, mesmo antes do oficial de armas o pedir. Era oficial, estava proclamado o rei e a guarda real pôde seguir viagem para o Royal Exchange em Londres, onde a cerimónia se repetiu.

E foi ali, no centro de Londres, que numa cerimónia de cinco minutos, foi lida a proclamação oficial de que o Reino Unido tem novo rei. E mais uma vez, houve três vivas ao rei. 

Mas, na varanda de St. James, onde o público ainda aguarda, do monarca nem sinal.

Para esta tarde, o rei Carlos III tem agendado várias audiências no palácio de Buckingham. Às 14:00, o monarca recebe o arcebispo da Cantuária, às 14:30 recebe a primeira-ministra e os membros do gabinete, às 15:00 serão recebidos os líderes da oposição e às 16:00 tem lugar a audiência privada com o capelão da Abadia de Westminster.

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