Pedro Nuno concorda que Costa já deveria ter sido ouvido pela justiça: e diz que seria "um ganho" tê-lo num cargo em Bruxelas

8 abr, 22:09

Secretário-geral do PS mostrou disponibilidade para negociar as medidas de combate à corrupção, como deseja o novo Governo. Mas deixou condições

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, defendeu que António Costa já deveria ter sido ouvido pela justiça no âmbito da Operação Influencer. O socialista admitiu que a ida do ex-primeiro-ministro para um cargo em Bruxelas “seria um ganho” para a Europa, mas também para Portugal. Por isso, garantiu total apoio a esse cenário: "Faremos o que estiver ao nosso alcance".

Foi desta forma que Pedro Nuno Santos, em entrevista à TVI e CNN Portugal, disse concordar com as declarações do antigo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que veio dizer que Costa já deveria ter sido ouvido, estando em causa uma “violação grosseira dos princípios básicos do Estado de direito”.

Para o secretário-geral do PS, “o caso que envolve o ex-primeiro-ministro não é um caso qualquer” nem “uma brincadeira”.

“É natural que seja não só tratamento com respeito, urgência e celeridade em relação a António Costa, mas verdadeiramente em relação a todos os portugueses e a todo o país”, afirmou.

Para Pedro Nuno Santos, o país “tem o direito de rapidamente perceber o que aconteceu, porque tivermos uma maioria absoluta interrompida”. O sucessor de António Costa no PS recusa expressões usadas no partido como “golpe de estado” ou “interferência”, mas reconheceu que houve “decisões que foram tomadas por parte do Ministério Público que tiveram consequências do ponto de vista do nosso sistema democrático”.

Sobre o apoio do PS a uma reforma da justiça, como defende Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos disse apenas achar “importante que esta matéria seja clarificada com urgência”.

Questionado se essa clarificação significaria uma porta aberta para a ida de António Costa para Bruxelas, para a presidência do Conselho Europeu, Pedro Nuno Santos lembrou a “respeitabilidade que António Costa conseguiu conquistar na Europa”.

O secretário-geral do PS insistiu que a escolha de Costa “seria um ganho muito importante”, tanto para a União Europeia como para Portugal, recordando que “conseguiu ser um dos líderes que estimulou, de forma assertiva, uma alteração da forma como a Europa respondia às crises”.

Estaria Costa desqualificado se viesse a ser confirmado como arguido na Operação Influencer? “Não quero fazer nenhuma especulação”, reagiu Pedro Nuno Santos.

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já admitiu que o Governo não se oporia a essa indicação, caso ela venha a tornar-se uma realidade.

No que respeita a um novo pacote de medidas para o combate à corrupção, Pedro Nuno Santos diz-se disposto a aceitar o repto de Luís Montenegro, desde que  “sem populismos, sem desrespeitar a Constituição”.

Questionado sobre a recandidatura do social-democrata Miguel Albuquerque à liderança do governo regional da Madeira, que é arguido por suspeitas de corrupção, argumentou que “o paralelismo com a República devia existir também na Região Autónoma da Madeira”.

Para Pedro Nuno Santos, Albuquerque “não inspira confiança”: “temos uma suspeita grave, suficientemente grave para que o atual candidato não o fosse”.

Confrontado com o nome de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, acusado de prevaricação, peculato e falsificação de documentos, Pedro Nuno Santos insistiu que “são situações diferentes: “não é, neste momento, candidato”, “há processos que estão a decorrer”, “não sou eu que vou condenar”.

"O combate à corrupção não é um tema da extrema-direita, é um tema de todos. Mas o Chega é que o tem feito com populismo", insistiu.

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