Ministra da Saúde admite que problema dos serviços de urgência é complexo e não se resolve com "algumas contratações"

Agência Lusa , MJC
2 mai, 15:03
Marta Temido, ministra da Saúde (Lusa/Fernando Veludo)

O problema das urgências é "a ponta do iceberg visível" das disfuncionalidades do serviço nacional de saúde, diz Marta Temido

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu esta segunda-feira, no Porto, que os serviços de urgência em Portugal enfrentam problemas complexos, mas estes não se resolvem com “algumas contratações” porque em causa está “a ponta de um iceberg”.

“O problema das urgências em Portugal é um problema complexo. A prova são as sucessivas abordagens feitas pelas sucessivas legislaturas (…). É um problema complexo que não se vai resolver com algumas contratações. Essa parte procuraremos fazê-la garantidamente de forma a que libertemos mais disponibilidade afetiva e emocional das equipas para se dedicarem à reorganização e se manterem”, disse Marta Temido.

A governante, que falava aos jornalistas à margem de uma visita à unidade de cuidados intensivos do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), respondia a perguntas sobre a necessidade de fixar e captar médicos para os serviços de urgência, bem como para os cuidados de saúde primários, uma situação que tem vindo a ser descrita como preocupante pelos especialistas destas áreas.

“Isso [referindo-se aos serviços de urgência] é a ponta do iceberg visível destas disfuncionalidades e que muito mais vezes do que gostaríamos dão azo a notícias por todo o país sobre serviços que deixam de ter escala completa para responder às necessidades. Isso está identificado”, referiu.

Questionada como pretende o Governo captar médicos para trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, numa altura em que dados recentes apontam para a saída, por aposentação, de cerca de 1.000 profissionais, bem como de quase uma centena para o estrangeiro, Marta Temido falou no programa Dedicação Plena, e usou palavras como motivação e incentivos, mas sem especificar medidas concretas.

“Oferecendo-lhes melhores condições de trabalho. A questão da dedicação plena é um projeto, um desafio”, referiu.

Marta Temido procurou salvaguardar que “para os 88 médicos” que, disse, “terão saído [para outros países] segundo os números divulgados de projetos para a emigração”, desde o início do ano foram contratados 362 médicos especialistas.

Quanto aos médicos de família, a governante quis explicar que os mil divulgados correspondem aos que estão a chegar à idade de reforma, mas “nem todos exercem esse direito”.

“Temos cerca de 300 médicos de família que continuaram a trabalhar para além da aposentação. O número de pessoas sem médico de família é o mesmo desde 2015. O problema de não atribuição de médicos de família não é um exclusivo do sistema de saúde português. Não é fácil captar médicos em outros países”, apontou.

Ainda sobre os cuidados de saúde primários, Marta Temido referiu que “o plano é diversificar a resposta da equipa”, acrescentando outros técnicos, bem como psicólogos e nutricionistas e sublinhou que a cobertura em enfermeiro de família passou de 69% em 2015 para 85% em 2021.

“Sim temos carências, mas nem todas as tendências são negativas”, resumiu.

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