Passa o dia de fones nos ouvidos? Isso pode ser um problema

CNN Portugal , MTR
18 mai, 18:00
AirPods. AP Photo

Lesões no ouvido interno, zumbidos ou uma perda de audição progressiva são algumas das possíveis consequências

É uma imagem que se vê repetida em todo o lado: no trabalho, na escola, em casa, nos transportes, lá andam eles nos ouvidos, de miúdos e graúdos, uns pequenos objetos brancos que servem para ouvir música, podcasts, falar ao telefone ou, simplesmente, estarem ali, quase que esquecidos. Os fones apoderaram-se dos nossos ouvidos, mas também usurparam a saúde dos mesmos?

A otorrinolaringologista Luísa Monteiro, coordenadora da unidade de otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Lisboa, explica à CNN Portugal que "o uso indevido [de fones], isto é, com níveis muito elevados de som, poderá lesar o ouvido interno, podendo causar zumbidos e perda de audição progressiva que se vai acentuando com anos de exposição a sons muito intensos".

Há sinais de alerta e são fáceis de identificar. "O primeiro sinal é geralmente um zumbido audível em situações de silêncio, por exemplo quando a pessoa está no quarto, a adormecer”, indica a especialista. Com o passar do tempo, outro sintoma comum é "começar a ter dificuldade em entender as conversas em ambientes ruidosos, como restaurantes, discotecas, festas", que irá progredir para pior se existir uma exposição contínua a sons altos.

No entanto, se os níveis de som forem "adequados" o uso permanente de fones nos ouvidos "não é prejudicial", esclarece.

Mas e aqueles que andam apenas com os fones nos ouvidos, sem estarem necessariamente a ouvir algo, também podem sofrer alterações na audição? Luísa Monteiro esclarece que essa prática não é prejudicial para a saúde auditiva, mas pode resultar numa "maior acumulação de cerume [cera] nos canais auditivos".

Mas como controlar o que é um som elevado?

A Organização Mundial da Saúde recomenda a regra 60/60 para controlar a utilização de auscultadores, ou seja, não se deve ultrapassar o volume máximo de 60% e a exposição ao som só deve ocorrer durante 60 minutos, sendo que o volume máximo é apenas tolerável durante cinco minutos.

"Optar por fones com isolamento de ruído pode ajudar a reduzir a necessidade de volumes altos. É importante também fazer pausas regulares e consultar um especialista para avaliações auditivas periódicas", acrescenta Marco Menezes Peres, otorrinolaringologista nos Lusíadas e na CUF Sintra, em entrevista à CNN Portugal.

Isto porque, alerta, "a utilização prolongada de fones a volumes elevados pode causar danos irreversíveis às células ciliadas do ouvido interno, levando à perda auditiva neurossensorial". E, neste sentido, "a exposição a níveis de som acima de 85 decibéis durante períodos prolongados é considerada prejudicial". "Os fones de ouvido podem facilmente exceder este limite, chegando a produzir sons na ordem dos 100 decibéis ou mais", avisa Marco Menezes Peres.

Mas este não é o único alerta do especialista, e não é preciso estar a ouvir nada. Andar com os fones nos ouvidos permanentemente, mesmo sem som, "pode criar um ambiente húmido e quente no canal auditivo, o que é ideal para o crescimento de bactérias e fungos, aumentando o risco de infeções do ouvido externo, conhecidas como otite externa". Além disso, sublinha, "a pressão física dos auriculares pode causar dor e até lesões na pele do canal auditivo, especialmente se os fones não forem bem ajustados ou se forem usados por períodos prolongados". 

É preciso, por isso, estar atento aos sinais iniciais de perda de audição, que "podem ser discretos e desenvolver-se gradualmente". Tal como Luísa Monteiro, Marco Menezes Peres também apontou a "dificuldade em seguir conversas em ambientes ruidosos ou ter necessidade de aumentar o volume da televisão". Outros sinais incluem "pedir frequentemente para as pessoas repetirem o que dizem, zumbido nos ouvidos, sensação de ouvido cheio ou pressão, e em casos mais graves vertigens ou desequilíbrio".

Se começar a notar algum dos sinais descritos, os médicos ouvidos pela CNN Portugal aconselham a procurar ajuda de um profissional de saúde, uma vez que "a deteção precoce é crucial para prevenir a progressão da perda auditiva e para explorar opções de tratamento eficazes".

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