Mais de um terço dos jovens portugueses veem eventos desportivos ilegalmente

17 jun, 10:01
Redes sociais, telemóveis, internet. Foto: Adobe Stock

Estudo divulgado pelo Instituto da Propriedade Intelectual da UE (EUIPO)

Cerca de 17 por cento dos cidadãos portugueses acederam ou transmitiram conteúdos de fontes digitais ilegais para ver eventos desportivos, percentagem que sobe para os 34 por cento entre os jovens dos 15 aos 24 anos, segundo um estudo europeu divulgado esta segunda-feira pelo Instituto da Propriedade Intelectual da UE (EUIPO).

Um estudo que revela «tendências significativas» relacionadas com a pirataria online de eventos desportivos ao vivo, com 12 por cento do total da população a aceder ou transmitir conteúdos a partir de fontes ilegais online.

«A Bulgária é o país onde esta prática é mais comum na UE, com 21 por cento do total de inquiridos a admitirem ter utilizado fontes ilegais online para assistir a eventos desportivos, seguida da Grécia (20 por cento), da Irlanda (19 por cento), de Espanha (19 por cento) e do Luxemburgo (18 por cento)», detalha.

Segundo a mesma análise, os cidadãos mais jovens, entre os 15 e os 24 anos, referiram ter acedido ilegalmente a eventos desportivos online a uma taxa duas vezes superior à da população total.

A Bulgária volta a destacar-se, sendo o país em que os jovens mais acedem a transmissões desportivas ilícitas (47 por cento), muito acima da média da UE de 27 por cento, seguida de Espanha, da Grécia (ambas com 42 por cento), da Eslovénia (39 por cento) e da Irlanda (34 por cento).

O streaming é apontado como o método mais popular de acesso a conteúdos televisivos ilícitos: 58 por cento da pirataria na UE ocorre através de transmissão e 32 por cento através de download.

Mas as transmissões ilegais não afetam apenas os eventos desportivos: se considerada a pirataria em todos os meios de comunicação social na UE, abrangendo todos os tipos de conteúdos (incluindo desportivos), o EUIPO estima que sejam gerados anualmente 1.000 milhões de euros de receitas ilegais.

Numa altura em que decorre o Euro 2024 e se avizinham outros grandes eventos desportivos como a Volta a França ou os Jogos Olímpicos de Paris, o diretor executivo do EUIPO, citado num comunicado, destaca que «é crucial jogar limpo, tanto para os jogadores em campo, como para os espetadores em casa».

«Os direitos de propriedade intelectual subjacentes a estes eventos protegem e reforçam as nossas experiências enquanto adeptos, apoiam os nossos atletas e inspiram futuros campeões europeus e mundiais. Ao assistir às emissões oficiais e ao comprar produtos licenciados, asseguramos que os nossos desportos amadores continuam a prosperar durante as gerações vindouras», afirma João Negrão.

No desporto, para além dos direitos de transmissão envolvidos nos grandes eventos, a propriedade intelectual está um pouco por todo o lado: desde os icónicos anéis olímpicos, aos nomes e imagem dos atletas de topo, ao equipamento desportivo dos competidores ou às mascotes e artigos oficiais dos eventos.

De acordo com o Painel de Avaliação da Propriedade Intelectual e da Juventude do EUIPO, uma média de 10 por cento dos jovens da UE admite ter comprado intencionalmente equipamento desportivo falso, sendo esta prática mais comum entre os jovens gregos, onde o número chega aos 18 por cento.

Cerca de 8 por cento dos jovens portugueses entre os 15 e os 24 anos adquiriram deliberadamente equipamento desportivo falso através da Internet.

Os cálculos do EUIPO indicam que as vendas de equipamentos desportivos falsificados na UE causam uma perda total estimada de 851 milhões de euros por ano - o que equivale a 11 por cento do total de vendas no setor.

A França, Áustria e Países Baixos registam as perdas monetárias mais elevadas, totalizando centenas de milhões de euros cada, mas, proporcionalmente, a Roménia, a Lituânia e a Hungria são os países que mais sofrem, com a contrafação de equipamento desportivo a representar até 20 por cento do total das perdas de vendas em cada país.

 

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