“Todos se espantaram com a fuga dos russos”. Ocidente foi apanhado de surpresa com a velocidade da reconquista ucraniana

14 set, 19:44
Ucranianos libertaram Izium e encontraram várias armas deixadas pelos russos (AP)

Responsáveis ocidentais foram avisados, mas ritmo da ofensiva não era o esperado

A reconquista de territórios pela Ucrânia na parte oriental do país terá apanhado o Ocidente de surpresa, de acordo com fontes ouvidas pelo Politico.

“Todos se espantaram com a fuga dos russos”, afirmou um funcionário do governo ucraniano, sob anonimato. De acordo com quatro oficiais, vários responsáveis de Defesa de países ocidentais foram avisados pela Ucrânia de que iria haver uma contraofensiva, mas a velocidade dos ganhos surpreendeu os aliados de Kiev.

Até agora, o governo ucraniano afirma que recuperou pelo menos 8.000 km2 de território na parte leste do país, principalmente na região de Kharkiv, onde recuperaram o controlo de cidades como Izium, Kupiansk e Balakliia.

Nesta primeira cidade, tomada pela Rússia em abril, a Ucrânia estima que 80% dos edifícios tenham ficado destruídos e que cerca de mil pessoas tenham morrido durante a ocupação.

A reconquista, alimentada pelo fornecimento de armas por parte do Ocidente, empurrou algumas forças russas de volta para o país invasor, revela um alto responsável militar ocidental, o que poderá indicar a “desorganização do comando e controlo” de Moscovo.

O Politico escreve também que os Estados Unidos têm fornecido informações e recursos à Ucrânia, como imagens de satélite, os quais Kiev posteriormente utiliza para tomar as suas decisões no campo de batalha. Mas a última decisão é ucraniana.

"Nós certamente fornecemos informações sobre as condições, mas, no final, esta é uma escolha ucraniana. Os militares ucranianos e a liderança política ucraniana é que tomaram as decisões sobre a forma de conduzir esta contraofensiva", revelou um funcionário do Departamento de Segurança dos Estados Unidos, citado pela publicação.

Michael Kofman, do think tank CAN, afirma por seu turno que esta é uma “janela de oportunidade” para a Ucrânia. “Gostaria de ver se a Ucrânia pode explorar ainda mais o ímpeto que desenvolveu no Donbass. É provável que as forças russas tentem reconstituir-se após a retirada, e tentem contra-ataques localizados”, diz.

"O período atual é mais bem descrito como uma janela de oportunidade para a Ucrânia, aproveitando a iniciativa de não só tomar território, mas também dar golpes aos militares russos dos quais terão dificuldade em recuperar durante o inverno”, completa Kofman.

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