Von der Leyen conta uma história sobre os frigoríficos russos para provar que a Europa e a Ucrânia estão a ganhar a guerra

14 set, 08:33

Presidente da Comissão Europeia diz que as sanções vieram para ficar - "a indústria russa está em farrapos" -, garante que o apoio à Ucrânia é inabalável e afirma que quem queria uma Europa dividida levou com uma Europa mais unida

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou esta quarta-feira que vai a Kiev ainda hoje para se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky, especificando que o encontro tem como objetivo a discussão “detalhada” da continuação da ajuda europeia.

No discurso anual sobre o estado da União, von der Leyen teceu duras críticas à Rússia, acusando-a de desencadear uma guerra contra a Europa com o objetivo de dividir o bloco europeu.

"Há muito em jogo: não só para a Ucrânia mas para a Europa. E vamos ser testados por aqueles que querem explorar qualquer divisão entre nós", começou por afirmar a presidente, detalhando que "esta não é apenas uma guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia, esta é também uma guerra contra a nossa energia, contra a nossa economia, contra os nossos valores e contra o nosso futuro".

"Com a coragem e a solidariedade necessárias, estou convicta que Putin vai fracassar e a Europa vai prevalecer", afirmou a presidente da Comissão Europeia, salientando que "a solidariedade da Europa com a Ucrânia permanece inabalável."

"As sanções estão a ter impacto e vieram para ficar"

Com a primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, como convidada de honra, von der Leyen apresentou propostas para conter o aumento dos preços da energia que atingiu a Europa na sequência da invasão russa, que incluem a retirada de lucros inesperados de empresas de energia e a imposição de cortes no uso de eletricidade no bloco europeu.

"Nunca antes este Parlamento debateu o estado da nossa União com a guerra em solo europeu", afirmou no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde muitos deputados e membros da UE usavam as cores azul e amarelo da Ucrânia.
 
Enquanto alguns países na Europa, apontando para o enorme aumento nos preços da energia, têm argumentado que as sanções do bloco à Rússia estavam a atingir mais o Ocidente, von der Leyen reiterou que "a sanções vieram para ficar" e que estão a ter um impacto real. 

"O sector financeiro da Rússia está em suporte de vida", apontou, acrescentando que cerca de mil empresas internacionais já deixaram o país. "Os militares russos estão a tirar fichas dos frigoríficos para arranjarem os seus equipamentos militares, porque ficaram sem semicondutores. A indústria russa está em farrapos. Esta é a hora de mostrarmos determinação, não apaziguamento", afirmou, reiterando: "Estamos nisto a longo prazo".

Revolução na eletricidade

Ursula von der Leyen anunciou uma “reforma profunda e abrangente” do mercado da eletricidade da União Europeia (UE) no próximo ano, que visa “dissociar a influência dominante do gás” no preço da luz.

“A atual conceção do mercado de eletricidade - baseada na ordem do mérito - já não está a fazer justiça aos consumidores, que devem colher os benefícios das energias renováveis de baixo custo e, portanto, temos de dissociar a influência dominante do gás sobre o preço da eletricidade”, defendeu Ursula von der Leyen.

“Vamos fazer uma reforma profunda e abrangente do mercado da eletricidade.” Prevista para o início do próximo ano, tal intervenção visa “olhar para o futuro”, numa altura em que Bruxelas tenta também “lidar com esta crise imediata”.

Fora das medidas de emergência e temporárias em que Bruxelas está a trabalhar ficam para já limites máximos de preços ao gás importado, nomeadamente da Rússia, depois de a comissária europeia da tutela ter revelado na terça-feira serem necessários “mais estudos” sobre os impactos.

“Temos de continuar a trabalhar para baixar os preços do gás. Temos de garantir a nossa segurança de aprovisionamento e, ao mesmo tempo, assegurar a nossa competitividade global”, explicou esta quarta-feira Ursula von der Leyen.

Assim, “iremos desenvolver com os Estados-membros um conjunto de medidas que tenham em conta a natureza específica da nossa relação com os fornecedores, desde fornecedores não fiáveis, como a Rússia, até amigos fiáveis, como a Noruega”, elencou.

A ser estudado está também um índice de referência para o gás natural liquefeito (GNL).

A economia do futuro

A presidente da Comissão Europeia anunciou a criação de um “novo banco europeu” para fomentar investimentos em projetos de hidrogénio na União Europeia (UE), orçado em três mil milhões de euros.

“Hoje anuncio que criámos um novo banco europeu de hidrogénio. Isto ajudará a garantir o fornecimento de hidrogénio utilizando dinheiro do Fundo de Inovação, no âmbito do qual será possível investir três mil milhões de euros para ajudar a construir um futuro mercado de hidrogénio”, declarou Ursula von der Leyen.

Intervindo no seu terceiro discurso sobre o Estado da União na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, a líder do executivo comunitário argumentou que “o hidrogénio pode mudar completamente a inovação na Europa”, razão pela qual é necessário “passar de um mercado de nicho para um mercado de massas para o hidrogénio”.

“Com o pacote energético Repower redobrámos os nossos objetivos e queremos produzir 10 milhões de toneladas de hidrogénio renovável até 2030. Para o conseguirmos precisamos de criar um novo mercado de hidrogénio para preencher a lacuna de investimento e para corresponder à oferta e procura para o futuro”, vincou Ursula von der Leyen, justificando este novo banco de hidrogénio, com verbas do Fundo de Inovação.

“É assim que vamos construir a economia do futuro, este é o Pacto Ecológico Verde”, adiantou.

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