Putin terá sido confrontado por alguém muito próximo sobre falhanços da guerra - e serviços secretos dos EUA dizem saber quem foi

7 out, 12:12
Vladimir Putin com líderes separatistas (Kremlin/AP)

Críticas à condução da invasão estão a subir de tom na Rússia. Líder do Grupo Wagner "quer mostrar que pode lutar melhor do que o exército regular"

Um membro do círculo de Vladimir Putin terá confrontado o presidente russo acerca dos falhanços durante a invasão da Ucrânia. A notícia foi avançada pelo The Washington Post, que cita informações obtidas pelos serviços de informação dos Estados Unidos.

Escreve o jornal norte-americano, de acordo com fontes anónimas, que a informação foi considerada tão relevante que foi incluída no briefing diário do presidente Joe Biden, também partilhado com outros altos funcionários do país.

O Washington Post garante que o descontentamento desta pessoa próxima de Vladimir Putin está relacionado com o que considera ser uma “má gestão do esforço de guerra e os erros cometidos por aqueles que executam a campanha militar”. A sua identidade não foi confirmada, mas os serviços de informação dos Estados Unidos sabem de quem se trata.

“Desde o início da ocupação, temos testemunhado um alarmismo crescente por parte de pessoas do círculo próximo de Putin. As nossas avaliações sugerem que são particularmente exercidas devido às recentes perdas russas”, afirmou ao jornal fonte dos serviços de informação.

Questionado sobre estes desentendimentos, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que existem, mas descartou que aconteçam entre aqueles mais próximos do chefe de Estado.

"Há desentendimento sobre trabalho, sobre a economia, sobre a condução da operação militar. Há discussões sobre o sistema educativo. Isto faz parte do processo normal de trabalho, e não é um sinal de qualquer divisão. O relatório dos Estados Unidos é absolutamente falso”, disse Peskov.

Certo que vários líderes russos têm criticado publicamente os líderes militares pela forma como têm conduzido a invasão. Ramzan Kadyrov, líder da Chechénia, criticou o coronel-general Alexander Lapin, comandante das forças do Grupo Central do Exército russo durante a invasão, afirmando que deveria ser despromovido. Por seu turno, o líder da força paramilitar de extrema-direita Grupo Wagner, Yevgeniy Prigozhin, apelidou as lideranças militares russas de “montes de lixo”.

Kadyrov e Prigozhin, diz o jornal The Guardian, estão em ‘guerra aberta’ com o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu. Ao jornal britânico, Marat Gabidullin, ex-membro do Grupo Wagner, não considerou surpreendente o tom de Prigozhin.

“Na atual onda de patriotismo, [Prigozhin] quer posicionar-se como um feroz defensor da pátria, criador de uma organização militar profissional. Ele quer mostrar que pode lutar melhor do que o exército regular. Sempre tivemos tensões com o Ministério da Defesa”, afirma.

Por seu turno, um oficial russo que trabalhou com Shoigu descreveu o líder do Grupo Wagner como um homem “sem moral e consciência”. “O Prigozhin estará agora a tentar vingar-se de Shoigu. Ele é uma máquina no mau sentido da palavra.”

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