Aprender a disparar uma Kalashnikov e lançar granadas: jovens russos vão ter aulas de preparação militar na escola

CNN Portugal , MJC
9 nov, 15:04
Soldado russo com civis na região de Zaporizhzhia  (AP)

Segundo o Ministério da Educação, a disciplina será extracurricular nos dois últimos anos do ensino secundário

As escolas russas não só ensinam aos adolescentes que “não devem ter medo de morrer pela pátria” como também vão ensinar a matar por essa mesma pátria.

O governo russo vai introduzir já no próximo ano letivo uma nova disciplina extracurricular que preparará os menores para a guerra. De acordo com os primeiros planos conhecidos, essa disciplina ensinará coisas como disparar com uma Kalashnikov, lançar granadas ou tratar queimaduras de explosões. O projeto conta com o apoio dos ministérios da Educação e Defesa e dos partidos próximos do Kremlin.

Segundo o El Pais, a ideia inicial foi de Sergei Mironov, deputado e líder do partido Rússia Justa, que defende que disciplina irá preparar os cidadãos para futuras batalhas, já que na Ucrânia ficou claro que "muitos não têm a experiência necessária para participar nas hostilidades", e também permitirá o emprego de "dezenas de milhares de pessoas que amam a Rússia e ao mesmo tempo dominam a teoria e a prática da guerra”.

O chefe do Estado-Maior russo, Valeri Gerasimov, apoiou a iniciativa, afirmando que, "tendo em conta a pertinência do tema, a proposta de introduzir uma disciplina obrigatória de Treino Militar Básico nos cursos do ensino secundário deve ser apoiada”.

Gerasimov consideraria "adequado" que os alunos recebessem cerca de 140 horas da disciplina e propõe que os professores sejam recrutados entre oficiais e veteranos, com prioridade para aqueles que participaram de ações de combate, para que possam ser ensinadas táticas de ações de combate, mas seja realizado um "trabalho psicológico" com os alunos.

O Ministério da Educação anunciou entretanto que está já a desenvolver o curso de formação para a guerra, mas num quadro de “apenas” 35 horas repartidas por cinco dias, o máximo estabelecido pela legislação em vigor para estas iniciativas extracurriculares, segundo relata o jornal Izvestia.  

A ideia do Ministério da Educação é incluir a disciplina militar nos dois últimos anos do ensino secundário. No primeiro, as aulas serão sobre primeiros socorros, como o socorro necessário às vítimas de traumas graves, queimaduras e sangramentos. No segundo, será o treino militar, com um módulo que inclui armar e disparar espingardas, lançar granadas, a composição de um esquadrão de fuzileiros ou como cada aluno deve cavar a sua própria trincheira.

As aulas são complementadas por outras novas iniciativas "patrióticas" que o Kremlin já implementou. Desde setembro, é obrigatório içar a bandeira todas as semanas nas escolas, e também foi criada uma nova disciplina, intitulada "Conversa sobre o que é importante", na qual se ensina que o amor à Rússia está acima da vida dos estudantes. “Não poupem as vossas forças nem a vossa vida pelo país” e “A felicidade do país vale mais que a vida” são alguns lemas que estão nos manuais.

Este tipo de cursos já existe como atividades voluntárias e foram promovidos dentro da campanha nacionalista que o Kremlin tem vindo a realizar nos últimos anos. Por exemplo, a Câmara Municipal de Moscovo construiu no ano passado um centro de formação no Patriot Park, um "parque temático", que parece um parque de diversões mas serve para “educação militar-patriótica”, com capacidade para mais de 600 adolescentes.

As autoridades também estão a preparar um novo movimento juvenil, à semelhança dos Pioneiros de Lenin. Este grupo será presidido pelo próprio Putin e o seu objetivo será “promover  as políticas do Estado” entre as crianças e os jovens.

Alguns deputados também propuseram alargar o serviço militar de um para dois anos. No entanto, a ideia não recebeu apoio suficiente nem do Kremlin nem do Ministério da Defesa e o projeto de lei não chegará ao parlamento.

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