A história da cave dos horrores que manteve em cativeiro 360 pessoas sequestradas pelos russos

17 jun, 21:01
Chernihiv, Ucrânia (Associated Press/Evgeniy Maloletka)

Cerca de dez pessoas acabaram por morrer. Houve quem acordasse ao lado de uma pessoa que perdia a vida durante a noite. O cheiro, cada vez mais insuportável, obrigou a guardar os corpos na sala da caldeira

Foram mais de 28 dias de terror. Svetlana Baranova e Lilia Bludshaya sobreviveram na cave de uma escola na região de Yahidne, a 20 quilómetros de Chernihiv, com mais 358 pessoas, entre as quais 74 crianças, que ficaram reféns do exército russo. Sem água, sem comida, sem luz e sem ventilação. 

“Forçaram-nos a entrar naquela sala sem ventilação, sem casas de banho e sem luz. Os russos abriam-nos a porta às sete da manhã para nos deixar ir à casa de banho, mas não todos os dias”, afirmam.

Às vezes ficavam vários dias sem ir à casa de banho e eram obrigados a utilizar baldes. O cheiro, descrevem, era tão mau que algumas pessoas acabaram por morrer por falta de oxigénio.

“Tínhamos baldes, mas não eram suficientes. Havia um fedor terrível. O cheiro era tão mau que alguns morreram por falta de oxigénio”, conta Svetlana. 

Cerca de dez pessoas acabaram por morrer. Houve quem acordasse ao lado de uma pessoa que perdia a vida durante a noite. O cheiro, cada vez mais insuportável, obrigou a guardar os corpos na sala da caldeira. 

Os sons não eram mais acolhedores. Havia quem gritasse em agonia e quem batesse com o corpo contra a parede. Svetlana e Lilia garantem que houve quem tenha chegado a enlouquecer. “O mais novo tinha 21 dias. Não comemos, nem bebemos, os pequenos gritavam. As mães pediram aos soldados russos água a ferver para cozinhar, mas nada”, recordam.

Porém, sem explicação, no dia 30 de março, as vozes russas deixaram de se fazer ouvir. Sem saberem se a guerra tinha acabado, fizeram uma bandeira com um trapo branco e saíram da cave em direção à cidade vizinha de Krasne. 

A história destas pessoas ganhou notoriedade na quinta-feira depois de recordada pelo jornalista da BBC, Steve Rosenberg, ao ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov. “Isto é que é lutar contra os nazis?”, questionou o jornalista britânico. A resposta de Lavrov chocou o mundo. “A Rússia não é imaculada. A Rússia é o que é e não temos vergonha de mostrar quem somos.”

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