Rússia vai produzir carros sem ABS, airbags e outros sistemas de segurança. E já alterou os regulamentos

15 jun, 17:08
Fábrica da Mazda

Especialistas acreditam que a decisão representa a vontade do Kremlin em demonstrar ao mundo que as sanções impostas pelo Ocidente não são suficientes para travar as aspirações russas

A Rússia vai produzir veículos sem airbags e sem sistema ABS devido às sanções aplicadas pelo Ocidente, que resultam na falta de componentes específicos. 

Em causa está a produção da Avtovaz, uma das maiores fábricas automóveis do país, que pertencia ao grupo francês Renault. Após o anúncio de saída do país, as autoridades russas revelaram que iam reativar a produção da marca soviética Lada. 

Porém, a marca teve um início de produção atribulado, depois de ver vários componentes chave fora do seu alcance devido às sanções. Entre elas estão mecanismos de segurança importantes como os airbags ou o ABS, mas não só. O programa de controlo eletrónico de estabilidade e o sistema de emergência utilizado nos cintos de segurança também tiveram de ficar pelo caminho.

Para não permitir que os mais de 60 mil trabalhadores da fábrica ficassem sem trabalhar, Moscovo não perdeu tempo e decidiu acabar com vários regulamentos que obrigam os fabricantes automóveis a respeitar medidas de segurança. Além disso, o veículo não vai cumprir os padrões de emissões carbónicas. 

Citado pelo canal de televisão norte-americano NBC News, o presidente da organização de padrões de segurança automóvel Global New Car Assessment Programme, diz que este processo é “muito triste” por representar “um passo atrás” no desenvolvimento automóvel, particularmente em relação a uma marca tão “icónica” como a Lada.

Para os especialistas políticos, a decisão representa uma vontade por parte do Kremlin em demonstrar ao mundo que as sanções não são suficientes para travar as aspirações russas.

"Isto definitivamente aponta para uma vontade do governo russo de sacrificar a qualidade e segurança dos bens em nome da invasão à Ucrânia. Para a sua audiência doméstica e estrangeira, eles querem mostrar que as sanções não estão a ter impacto”, afirma Jeffrey Edmonds, antigo membro do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.

Recorde-se que no mês de maio, a Renault anunciou que ia vender a sua participação no fabricante automóvel russo Avtovaz por um valor simbólico. Porém, a empresa francesa deixou a porta aberta para um possível regresso, com uma opção de recompra com duração de seis anos. 

Os 67,69% que a empresa francesa detinha na Avtovaz, e que foram agora vendidos ao Instituto Central Russo de Pesquisa e Desenvolvimento de Automóveis e Motores, estavam avaliados em 2,2 mil milhões de euros.

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