opinião
Diretor de Informação da TVI

“Atirei o pau ao Costa…

13 jan, 08:38

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… e o Rio não morreu.” Sendo a canção da nossa infância — a original, claro — agora politicamente incorreta, neste caso, ela serve o propósito de ajudar a explicar o período eleitoral que estamos a viver.

Defendo, desde o início desta crise política, que estas eleições correm o risco de ser pouco úteis à clarificação que as justificou. Pior: podem servir apenas para nos deixar num pântano político ainda maior do que aquele em que navegámos nos últimos dois anos. No fim do dia, sobrará sempre a pergunta: quem nos governa?

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E a que preço?

Se cruzarmos alguma opinião publicada com a tendência das sondagens e descontarmos o fel de uns quantos adversários internos de Rui Rio, todos os caminhos apontam na mesma direção: António Costa tem uma maior probabilidade de sair vencedor destas eleições do que Rui Rio. Apesar do desgaste que lhe apontam, dos erros — e foram muitos — que cometeu enquanto líder do Governo e considerando ainda o falhanço da defunta geringonça, não há quem se atreva a dizer que Rui Rio vai ser um claro vencedor das próximas eleições. Mas eu não daria isso por adquirido.

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Percebendo que António Costa se sinta na obrigação de pedir uma maioria absoluta - na qual duvido que o próprio acredite - e tendo em conta as linhas vermelhas que já assinalou à sua direita, ao PS de Costa resta uma oportunidade de governar: que a esquerda toda junta - e o que restar do PAN - chegue para se equilibrar numa corda cada vez mais fina e instável. Ora, para isso, seria preciso que a direita não crescesse nada nestas eleições e que a esquerda conseguisse, no mínimo, manter a votação das últimas eleições. Um cenário que, não sendo impossível, é, ao dia de hoje, muito pouco provável.

À direita, as dúvidas são diferentes, mas nem por isso menos relevantes. Depois de quatro anos na oposição e de todo o desgaste do Governo socialista, Rui Rio nem se atreve a pedir maioria absoluta. O que significa que - como o próprio tem deixado bem claro nos debates - o líder do PSD mete todas as fichas numa maioria de direita, de preferência sem precisar do Chega. E eis-nos chegados a um novo cenário, também ele, ao dia de hoje, pouco provável.

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Claro que há sempre outros cenários, mas sobre eles podemos debruçar-nos mais tarde. A verdade é que Rui Rio - gabe-se-lhe a coerência - defendeu sempre que o PSD nunca chegaria ao poder apenas por mérito próprio, mas, primeiro, por demérito de quem lá está. E sempre foi esta, até hoje, a estratégia do líder social-democrata: ficar quietinho à esquina, encostado ao poste, resistindo a todas as intempérides, à espera que o poder lhe caia dos céus aos trambolhões. Como é que governa depois? Isso logo se vê.

Bem sei que nenhuma sondagem o diz, mas esta é a primeira vez que Rui Rio tem uma oportunidade real de se tornar primeiro-ministro. E se, depois de tudo o que aconteceu à esquerda, o líder do PSD não conseguir uma vitória, isso dirá muito mais sobre a sua liderança do que sobre quem governou o país nos últimos seis anos.

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