Não é um stand de automóveis de luxo, são "só" turistas russos a viajar para a Europa

24 ago, 09:48
Carros de luxo no aeroporto de Helsínquia (ALESSANDRO RAMPAZZO/AFP via Getty Images)

Cidadãos finlandeses começam a ficar cada vez mais desconfortáveis com a presença russa no país

Porsches, Mercedes, Bentleys e BMWs. Não, não é um stand de automóveis de luxo, mas podia ser. O parque de estacionamento do aeroporto de Helsínquia, na Finlândia, está a tornar-se um autêntico depósito de carros exclusivos com matrículas russas, com o país nórdico a tornar-se um ponto de passagem para a elite russa que viaja pela Europa.

Quando começou a invasão russa da Ucrânia, a União Europeia apressou-se a punir o regime de Moscovo pelas suas ações e uma das primeiras medidas estabelecidas foi o fecho do espaço aéreo europeu a aviões russos. A decisão obrigou os cidadãos russos que planeavam viajar para a Europa a arranjar uma alternativa. Muitos decidiram viajar do território russo para países terceiros e daí voar com destino ao território europeu. Mas, para outros, é mais simples, barato e conveniente atravessar a fronteira de carro e viajar para o país ocidental desejado.

A situação levou a uma autêntica explosão no número de entradas de cidadãos russos na Finlândia, principalmente vindos da cidade de São Petersburgo, uma das principais cidades russas, que se encontra perto da fronteira com a Finlândia. No parque de estacionamento do principal aeroporto finlandês, é possível encontrar centenas de carros de luxo com matrículas russas, de marcas como a Porsche, Mercedes, Bentley, BMW e Audi. A situação está a causar desconforto entre a população finlandesa e o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros já se pronunciou sobre o assunto.

Veículos de luxo no fotografados no aeroporto de Helsínquia (Alessandro Rampazzo/AFP via Getty Images)

“A Finlândia pode tornar-se um país de trânsito para turistas russos. O aeroporto de Helsinquía está a presenciar muito turismo russo de momento”, afirmou o ministro Pekka Haavisto, citado pelo jornal The Guardian.

O descontentamento da população é de tal forma expressivo que levou o governo a admitir a hipótese de limitar, já no dia 1 de setembro, o número de vistos turísticos a cidadãos russos em 10% do volume atual. Porém, a medida pode não resolver o problema, uma vez que dois terços dos cidadãos russos que chegam ao país vêm com um visto do espaço Schengen atribuído por outro país da União Europeia.

Recorde-se que, esta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros lituano, Gabrielius Landsbergis, afirmou que os países do Báltico, juntamente com a Polónia e a Finlândia, podem procurar uma solução regional para proibir a entrada de turistas russos, caso a União Europeia não seja capaz de chegar a uma solução a nível europeu.

Finlândia, Polónia e países bálticos equacionam não dar vistos turísticos a cidadãos russos (Alessandro Rampazzo/AFP via Getty Images)

“Se não chegarmos a um acordo, não descartamos a possibilidade de buscar uma solução regional que inclua os estados bálticos, a Polónia e potencialmente a Finlândia”, acrescentou, admitindo, no entanto, que tal movimento seria “difícil”.

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