Bancos dizem que subida das taxas Euribor está dentro de “um quadro de normalidade histórica”. Vítor Bento pede "prudência" após entrevista de Costa à TVI/CNN

13 set, 19:49
Vítor Bento ouvido na Comissão de Inquérito ao caso BES (MÁRIO CRUZ/LUSA)

Entidade liderada pelo economista Vítor Bento lembra que mantém diálogo regular com o Governo e alerta para o perigo de se tomarem soluções contraproducentes

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) considera que apesar da atual subida das taxas de juro que servem de indexante aos contratos de crédito à habitação estas continuam num patamar de normalidade, e pede que se evitem soluções que podem ser contraproducentes.

“Relativamente às taxas de juro, importa ter presente que as subidas a que se tem vindo a assistir continuam a situá-las num quadro de normalidade histórica e que os valores negativos ou extremamente baixos dos últimos anos é que se desviaram desse padrão”, salienta a entidade liderada pelo economista Vítor Bento.

A APB exemplifica essa normalidade argumentando que “nos últimos 62 anos a média mensal do equivalente à Euribor a 3 meses se situou acima dos 2% em quase 80% dos meses (os 20% abaixo são os valores mais recentes) e que em mais de metade desse período o seu valor esteve acima de 4%”.

A Associação sublinha mesmo que neste contexto em que as taxas estão a voltar à normalidade é preciso “prudência nas reações” e que devem ser evitadas “soluções imaginadas para situações transitórias” que “acabarão por se tornar contraproducentes”.

A reação da associação que representa os bancos em Portugal surge num momento em que as taxas Euribor estão a subir e a penalizar os detentores de crédito à habitação e depois de, na segunda-feira, o primeiro-ministro, António Costa, ter admitido, em entrevista à CNN Portugal e à TVI, que o Governo poderá vir a intervir no sentido de proteger as famílias mais penalizadas pela subida das taxas de juro.

O Governo vai "acompanhar a evolução da situação", disse António Costa, lembrando que há formas "várias" de poder apoiar as famílias, deixando no ar uma possibilidade já anteriormente utilizada: dedução dos juros do crédito à habitação em sede de IRS.

As taxas Euribor têm vindo a subir ao longo do ano acompanhando as decisões do Banco Central Europeu que já este ano subiu a sua principal taxa diretora de zero para 1,25% numa tentativa de controlar a taxa de inflação.

No início do ano as taxas Euribor ainda se encontravam em terreno negativo, mas no final de agosto a Euribor a seis meses, por exemplo, já se situava em 0,837% e hoje o mesmo indexante já ultrapassou 1,5%.

A APB recorda ainda que mantém com o Governo “um diálogo regular para acompanhamento de assuntos de interesse mútuo, como são, entre outros, os desenvolvimentos da atual conjuntura económica” e que entre esses desenvolvimentos “compreendem-se as preocupações com o caminho assumido pela inflação, que é preciso conter, e com a subida das taxas de juro desencadeada para essa contenção”.

Perante o aumento das dificuldades que algumas famílias possam vir a enfrentar, a APB lembra que os bancos “estão habituados a procurar com os seus clientes as soluções que melhor se adequem aos seus problemas de transição, e existem instrumentos legais para enquadrar essas soluções”.

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