Rui Tavares ainda acredita num Governo de esquerda: "Não se pode dar por adquirida uma contagem de votos que ainda não foi feita"

CNN Portugal , MJC
12 mar, 23:51

Em entrevista à CNN Portugal, o líder do Livre explicou que vivemos num "cenário de grande incerteza" e que é necessário esperar pelos votos dos círculos eleitorais dos emigrantes para perceber se a vantagem da AD será assim tão clara

Quando se reunir esta quarta-feira à tarde com o Presidente da República, Rui Tavares, representante do Livre, vai tentar perceber porque é que Marcelo Rebelo de Sousa está a auscultar os partidos antes de saber os resultados finais das eleições legislativas de domingo. "Devemos respeitar os processos democráticos, um deles é a contagem dos votos todos. Estes votos são relevantes", disse, esta noite, em entrevista à CNN Portugal.

Na sua opinião, sem os votos dos círculos eleitorais dos emigrantes, não é possível determinar com certeza quem deverá governar o país. "Temos um cenário de grande incerteza, mas para já temos a certeza de que entre os campos políticos que já disseram que negociariam soluções governativas, temos o campo da esquerda que neste momento tem mais votos e mais mandatos que o campo da direita democrática (AD e IL). Depois temos o Chega, com o qual toda a gente disse que não negociaria para Governo."

Desse ponto de vista, talvez Pedro Nuno Santos tenha sido precipitado em assumir a derrota do Partido Socialista, na análise de Rui Tavares: "Creio que fazemos mal se andarmos muito atrás do curto prazo, e às vezes lideranças políticas agem mais como comentadores do que como atores da atualidade política. Já o fizemos muito no início desta crise política", observou. "Num sistema parlamentar é na busca por um consenso o mais amplo possível que se deve formar um Governo", defendeu.

Rui Tavares lembra que os resultados ainda não são definitivos: "Não se pode dar por adquirida uma contagem de votos que ainda não foi feita". E se, contados todos os votos, "o PS e o PSD estiverem empatados, isso não é tão relevante quanto saber qual é o bloco mais coerente".

Questionado sobre se isto significa que ainda acredita que é possível formar um Governo de esquerda, Rui Tavares não se quis comprometer, mas subentende-se das suas palavras que sim: "Eu sigo a Constituição e acho que é nas conversações com o Presidente da Republica que se vê onde é que existem as maiorias e os apoios mais amplos e mais coerentes para sustentar um Governo", afirmou o líder do Livre.

Tavares sabe que a esquerda tem mais mandatos mas não tem maioria absoluta: "A direita e a extrema-direita podem apresentar uma moção de rejeição e rejeitar um Governo minoritário de esquerda, como aconteceu em 2015, mas ao contrário", admitiu. Por isso, "a direita da AD e da Iniciativa Liberal têm de clarificar de uma vez por todas se contam com o Chega politicamente e aritmeticamente". Ou seja, se esta situação se colocar, e o Chega apresentar uma moção de rejeição, o que farão estes partidos?

Na entrevista, o representante do Livre afirmou que vai "naturalmente aceitar o convite" de Mariana Mortágua para uma reunião das esquerdas em Portugal, uma vez que considera importante que haja uma maior "articulação e coordenação" entre os partidos da esquerda. 

"Precisamos de uma esquerda que não se limite a ser o contraponto às propostas da direita, a esquerda não pode ter vergonha nem medo de imaginar e propor o futuro", concluiu.

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