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Drones portugueses ajudam Ucrânia a destruir mais de mil milhões de euros de equipamento militar russo

23 mai, 13:17
Tekever AR3 (Tekever)

Equipamentos da empresa criada por ex-alunos do IST têm sido fundamentais para detetar as movimentações do exército russo a longas distâncias, bem como identificar potenciais alvos para serem destruídos

O ministro da Defesa britânico, Grant Shapps, revelou que os veículos aéreos não tripulados doados pelo Reino Unido à Ucrânia, do qual se destacam drones de reconhecimento da empresa portuguesa Tekever, destruíram cerca de 1.100 milhões de euros de equipamento militar russo.

“Os nossos parceiros ucranianos estimam, de forma conservadora, que os drones britânicos destruíram esse valor em equipamento russo”, afirmou Shapps no Ukrainian Drone Defence Forum, em Londres, na segunda-feira.

O Reino Unido já enviou mais de quatro mil drones para a Ucrânia desde que a Rússia lançou a invasão à Ucrânia, em fevereiro de 2022. Segundo o ministro, foram doados mais de 30 tipos de aeronaves, com diferentes capacidades e valências, num pacote de apoio que superou os 500 milhões de euros. O governo britânico prevê aumentar esta ajuda em 380 milhões de euros ao longo do próximo ano.

Entre os veículos enviados está o AR3, um drone de pequenas dimensões desenvolvido e fabricado em Portugal capaz de operar em ambientes saturados de instrumentos de guerra eletrónica e de fazer vigilância a longa distância. Altamente versáteis e com uma autonomia de 16 horas, estes drones têm permitido à Ucrânia detetar as movimentações do exército russo a longas distâncias, bem como identificar potenciais alvos para serem destruídos.

“O AR3 é um sistema que foi desenvolvido para ser extremamente flexível no terreno. Estes sistemas conseguem trazer para uma dimensão muito reduzida – são sistemas ainda assim bastante pequenos – um grande conjunto de capacidades”, diz Ricardo Mendes, CEO da Tekever, à CNN Portugal.

A Tekever, criada por antigos alunos do Instituto Superior Técnico para ser uma empresa de de software ligada à inteligência artificial, tem no contínuo desenvolvimento de software uma das suas principais características. Os engenheiros da empresa portuguesa recebem relatórios dos problemas encontrados pelos seus clientes e desenvolvem soluções que permitam ultrapassar esses desafios.

O facto de operar sistemas com inteligência artificial permite ao veículo permanecer no ar e cumprir a sua rota, independentemente de ter perdido o sinal com o operador, devido à interferência de equipamentos de guerra eletrónica hostis.

“Um fator-chave para o sucesso dos nossos sistemas na Ucrânia é a sua capacidade de serem constantemente atualizados em resposta à evolução das necessidades no terreno, mesmo em ambientes congestionados [por sistemas de guerra eletrónica]”, escreve a empresa numa publicação nas suas redes sociais.

Os equipamentos produzidos pela Tekever são exclusivamente focados em vigilância e Ricardo Mendes garante que a empresa não está disposta a alterar o rumo para passar a criar produtos de natureza militar. Ainda assim, as qualidades dos drones portugueses junto dos soldados ucranianos tem garantido à empresa vários elogios. “A nossa cooperação tem tido um impacto incrível no campo de batalha”, acrescentou Grant Shapps.

Este ano, a empresa desvendou um novo produto, o ARX, um sistema capaz de destacar e coordenar enxames de drones. Este veículo só estará disponível em 2025 - promete “reforçar significativamente as capacidades de vigilância e de salvamento de vidas humanas, quer em organizações civis, quer em militares”, com mais autonomia, maior velocidade, capacidade de transportar mais tecnologia e “captar mais informação”.

A CNN Portugal sabe que a Força Aérea Portuguesa esteve ligada ao processo de desenvolvimento desta aeronave e tem intenções de adquirir várias unidades do ARX assim que este chegue ao mercado.

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