Os esquecidos: o PAN no MAPADI

25 jan, 23:36
Ação do PAN no MAPADI

Na última ação do PAN, desta vez na Póvoa de Varzim, Inês de Sousa Real visitou as residências do MAPADI - Movimento de Apoio de Pais e Amigos ao Diminuído Intelectual

Helena e Américo estão juntos há 10 anos. Ela, com 46 anos, é "apaixonada por pizza de queijo", ele, com 50, é quem as prepara só para a fazer sorrir. Conheceram-se a partir do MAPADI, uma IPSS, e partilham agora uma pequena habitação à qual chamam "lar". Como essa há mais de uma dezena no terreno de mais de 35 mil metros quadrados, com claraboias e janelas instaladas em função do sol. Onde há tanta luz não são necessários recursos elétricos. 

Eis que se ouve o som da campainha e na entrada está Inês de Sousa Real com um pequeno grupo do PAN. Américo abre a porta nitidamente nervoso, já Helena faz as honras com uma energia solar: "Olá, sejam bem-vindos, muito gosto em conhecer-vos. Vocês são pessoas em quem posso confiar". José Luís, diretor técnico da MAPADI do polo de Terroso, coordena cuidadosamente a visita. Os utentes chamam-lhe "paizinho", menos Helena, que gosta de primar pela diferença. "Chama-me padrinho, porque paizinhos há muitos e padrinho sou só eu." 

Um de cada vez, acabam todos por entrar. A habitação tem tudo aquilo que precisam: quartos, cozinha, uma sala, uma casa de banho e até dois bonecos aos quais chamam "filhotes". Helena dirige-se à líder partidária: "És muito bonita e com máscara deves ser mais bonita ainda". Sorrisos. 

Encostado à porta do quarto, mais silencioso, Américo tenta controlar a ansiedade mexendo repetidamente as pernas. Foi internado em dezembro, depois de ter adoecido, e encontra-se agora em fase de recuperação. José Luís explica que "a medicação que lhe foi prescrita teve efeitos no sistema nervoso", o que o leva a mover-se involuntariamente para aligeirar o desconforto. "Segunda-feira vão levar-me ao médico para ficar melhor e voltar a trabalhar", conta Américo, que presta serviços de jardinagem no horto da Câmara Municipal.

Américo e Helena

A caminhada prossegue e desta vez termina à porta de Sara e Cláudia, duas jovens de 26 e 35 anos que se juntaram depois de uma formação profissional no MAPADI. "Frequentaram o mesmo curso e mostraram empatia e capacidades de comunicação", explica José Luís. É dessa forma que distribuem os utentes, dois por cada residência, quando não são familiares. Ambas fazem parte do núcleo mais autónomo da instituição, que pode inclusivamente deslocar-se pela cidade através de transportes públicos, fazer compras e até visitar a família adotiva, como acontece no caso de Cláudia. Além de se encarregarem da divisão de tarefas, compras e despesas, "quando não lhes agrada a comida podem ir buscar um miminho quando regressam do trabalho". E qual é preferido? "Burguer King", diz Cláudia, envergonhada. "A Sara tem neste momento um protocolo da MAPADI com uma fábrica de confeção de manguitos e aventais de plástico para a indústria da pesca", conta José Luís. "É uma excelente colaboradora." Cláudia é um caso de sucesso: "Foi integrada, também através de um protocolo, na copa de um restaurante do Casino da Póvoa e agora já é funcionária efetiva". 

Inês de Sousa Real questiona as duas: "Vão votar no próximo domingo?". Ambas dizem que não, mas o diretor garante que alguns pedem para votar. "Não havendo compreensão sobre esta dinâmica e a sua importância, não os posso influenciar", explica à líder do PAN. "Assim como a religião." Por outro lado, diz que o futebol é essencial. "Conseguimos um acordo com a SportTV para instalar em algumas casas, porque muitos fazem questão."

Cláudia e Sara

Os esquecidos

No final da visita, a líder partidária dirige-se à CNN Portugal para fazer um balanço. "Devíamos replicar este tipo de modelos em mais locais do país, porque sobretudo na idade adulta as pessoas que sejam de alguma forma portadoras de deficiência têm muita dificuldade em encontrar um espaço", defende. "É de facto uma resposta muito esquecida na nossa sociedade." 

Inês de Sousa Real afirma que há algumas soluções semelhantes "mas tendem a centralizar-se em alguns concelhos em vez de abranger todo o país" e que o PAN pretende garantir "respostas de autonomização, até para vítimas de tráfico de seres humanos e de violência doméstica e para pessoas sem-abrigo". "Tendemos a focar-nos muito na questão da classe média, da habitação para os jovens, mas não podemos deixar para trás aqueles que mais precisam."

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