As estranhas coincidências entre o caso das gémeas e a operação que derrubou Costa

17 jun, 12:56

CNN portugal teve acesso à totalidade do processo Influencer e nos longos volumes percebem-se estranhas coincidências na data da marcação das buscas que levaram António Costa a demitir-se

Os volumes que detalham a Operação Influencer, que ditou a demissão de António Costa e a queda do governo, mostram uma série de coincidências com um outro caso que também já chegou à justiça. Trata-se do caso das gémeas que receberam tratamento com o medicamento mais caro do mundo depois de uma intervenção do filho do Presidente da República.

Apesar de já em setembro do ano passado o Ministério Público ter previsto realizar as diligências até 10 de novembro (as buscas aconteceram a 7 de novembro), todos os ofícios falam num prazo de 60 dias.

Advogados contactados pela CNN Portugal asseguram que as buscas poderiam ter ocorrido apenas em janeiro. Mas a verdade é que aconteceram apenas quatro dias depois de a TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) ter revelado a alegada cunha presidencial de quatro milhões de euros (valor do Zolgensma) para tratar duas gémeas que conseguiram a nacionalidade portuguesa após o empenho "a 100%" do filho de Marcelo Rebelo de Sousa.

Nuno Rebelo de Sousa nunca explicou nada do que fez até hoje, mas é esperado que vá à comissão parlamentar de inquérito criada para esclarecer o caso.

O pai, o Presidente da República, cortou relações com o filho e disse-o num jantar com correspondentes estrangeiros em Portugal, sendo essa apenas uma pequena parte de um conjunto de declarações polémicas feitas nesse dia.

O chefe de Estado também demorou um mês a assumir que recebeu um e-mail do filho sobre este caso, mas a CNN Portugal demonstra que Marcelo sabia de tudo o que lhe iria ser perguntado antes da entrevista e nessa altura não manifestou desconhecimento sobre o caso. Esse desconhecimento surgiu apenas quando as câmaras da CNN Portugal se ligaram à hora  e no local marcados por Marcelo Rebelo de Sousa.

A entrevista foi a 2 de novembro de 2023.

Coincidência ou não, foi nesse dia que o juiz de instrução da Operação Influencer emitiu os mandados de busca aos ministérios, AICEP, casas de ministros e ex-ministros, do chefe de gabinete de António Costa e até a São Bento, onde foram encontrados 75 mil euros no escritório do chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária.

Nenhum advogado contactado pela CNN Portugal tem explicação para esta coincidência.

Mas este não é o único facto estranho que liga o caso gémeas às detenções e buscas no âmbito do caso Influencer.

Até hoje, a procuradora-geral da República não explicou o que foi fazer a Belém na manhã das buscas nem quando e onde foi escrito o último parágrafo que acabou pode deixar o país inteiro a saber que António Costa era um dos suspeitos.

A maioria dos comentadores atribuiu a demissão do ex-primeiro-ministro a esse fatal parágrafo.

Certo é que António Costa apresentou uma solução de governo a Marcelo Rebelo de Sousa (Mário Centeno) e o Presidente da República não aceitou. Decidiu antes dissolver o Parlamento e marcou eleições antecipadas.

Depois, Marcelo Rebelo de Sousa começou a empurrar António Costa para o cargo de presidente do Conselho Europeu, cuja eleição conhece esta segunda-feira um passo decisivo.

Tudo indica que do jantar informal dos líderes europeus em Bruxelas esta noite deverá sair a indicação de António Costa como o candidato da área socialista ao cargo de presidente do Conselho Europeu.

Para a história fica uma saída abrupta do poder de um primeiro-ministro em funções para um cargo europeu, bem diferente do caso de Durão Barroso.

Miguel Sousa Tavares é perentório: "este apoio incondicional e reiterado de Marcelo Rebelo de Sousa a António Costa na corrida a Bruxelas mostra o peso de consciência pelo pecado que cometeu a 7 de novembro".

Até hoje, é já depois de ter sido ouvido no DCIAP, no âmbito da Operação Influencer, António Costa nem arguido é. Tem o raro estatuto de mero declarante

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