Canadá retira 41 diplomatas da Índia depois de Nova Deli ameaçar revogar imunidade

Agência Lusa , NM
20 out, 07:26
Justin Trudeau (AP Photo)

Decisão prende-se com o conflito entre os países sobre a morte de um líder separatista sikh em território canadiano

O executivo canadiano retirou 41 dos seus diplomatas na Índia, depois do Governo indiano ter revelado que ia revogar a sua imunidade diplomática, na sequência do conflito sobre a morte de um líder separatista sikh no Canadá.

A medida surge após acusações canadianas sobre um eventual envolvimento de Nova Deli na morte de um líder separatista sikh, Hardeep Singh Nijjar, em junho, nos subúrbios de Vancouver.

A Índia acusou o Canadá de abrigar separatistas e terroristas, mas rejeitou a acusação do seu envolvimento no assassinato e tomou medidas diplomáticas para expressar a sua insatisfação.

Durante anos, a Índia acusou Nijjar, um cidadão canadiano nascido na Índia, de ter ligações com o terrorismo, alegações que o líder sikh sempre negou.

A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Mélanie Joly, realçou esta quinta-feira que 41 dos 62 diplomatas canadianos na Índia foram retirados, juntamente com os seus familiares, sublinhando que foram abertas exceções para 21 diplomatas canadianos que vão permanecer na Índia.

“Quarenta e um diplomatas e os seus 42 dependentes corriam o risco de ver a sua imunidade retirada numa data arbitrária e isso colocaria em risco a sua segurança pessoal”, realçou Joly.

Joly frisou que a remoção da imunidade diplomática não é apenas sem precedentes, mas é contrária ao direito internacional, e garantiu que, por essa razão, o Canadá não irá ameaçar fazer o mesmo aos diplomatas indianos.

A ministra apontou que a decisão da Índia terá impacto a nível de serviços aos cidadãos de ambos os países, detalhando que o Canadá está a interromper os serviços presenciais em Chandigarh, Mumbai e Bangalore.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, Arindam Bagchi, já tinha pedido uma redução no número de diplomatas canadianos na Índia, sustentando que estes superavam o número de funcionários da Índia no Canadá.

A Índia também cancelou vistos para canadianos e o Canadá não retaliou essa decisão.

Antes, a Índia tinha expulsado um diplomata canadiano sénior depois do Canadá ter expulsado um diplomata indiano sénior.

Trudeau já procurou acalmar o conflito diplomático, garantindo aos jornalistas que o Canadá “não pretende provocar ou escalar” a situação.

O Canadá acolhe a maior comunidade sikh do mundo fora da Índia, com 770 mil canadianos a declararem-se sikhs em 2021, o que representa 2% da população do país.

Nas décadas de 1970 e 1980 uma sangrenta rebelião no norte da Índia acabou esmagada pela repressão governamental, com um balanço de milhares de mortos, incluindo proeminentes líderes sikhs.

O movimento pelo Calistão perdeu progressivamente o seu poder político, mas ainda mantém apoiantes no estado indiano do Punjab e entre a diáspora sikh.

Embora a insurreição ativa tenha terminado há anos, o Governo indiano tem avisado repetidamente que os separatistas sikhs estão a tentar protagonizar um regresso.

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