"Um pediu, o outro comprometeu-se". Santos Silva considera que Marcelo e Costa "disseram o mesmo"

30 mar, 23:13

Marcelo pediu a Costa para não se ir embora a meio da legislatura. O primeiro-ministro não respondeu e deixou o tema em aberto. O recém eleito presidente da Assembleia da República tem uma visão diferente

"Terá de perguntar ao Presidente da República", "terá de perguntar ao senhor primeiro-ministro", "não me compete a mim responder". Foi assim que o recém-eleito presidente da Assembleia da República, Augustos Santos Silva, desvalorizou os recados de Marcelo Rebelo de Sousa a António Costa. Na ótica do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, que marcou presença na tomada de posse, aquilo a que assistiu foram discursos de convergência. 

"A única coisa que eu posso dizer, visto que assisti à tomada de posse, é que assisti a dois excelentes discursos, nos quais os protagonistas disseram o mesmo: que era todo o interesse que o atual Governo, que hoje tomou posse, vá até ao fim da legislatura, até outubro de 2026. Um pediu, o outro comprometeu-se". 

Mesmo quando foi questionado sobre uma das frases mais fortes do discurso de Marcelo - "a maioria absoluta não é um poder absoluto, nem uma ditadura de maioria" -, Santos disse optou por responder "enquanto cidadão". "Isso é uma impossibilidade. Uma ditadura de maioria não seria um regime democrático e o poder absoluto é incompatível com a democracia". 

Palco ao Chega? "Eu fiz uma defesa da democracia pluralista"

No primeiro discurso enquanto presidente da Assembleia da República, Santos Silva disse que ia deixar espaço para nacionalismos, discriminação dos outros povos e fecho de fronteiras. "O bom requisito para ser patriota é não ser nacionalista, isto é, não ter medo de abrir fronteiras, de integrar migrantes, de acolher refugiados, de praticar o comércio e as trocas culturais". "O único discurso sem lugar aqui há de ser o discurso do ódio", acrescentou.

Estas afirmações foram de imediato associadas ao partido de André Ventura que conta agora com 12 deputados. No entanto, nesta entrevista exclusiva à CNN Portugal, Santos Silva disse que se limitou a defender uma democracia pluralista. 

"Eu fiz uma defesa da democracia pluralista e da importância da Assembleia da República como centro da democracia pluralista. A Assembleia da República representa o país na sua diversidade". A verdade é que, direta ou indiretamente, Ventura vestiu a carapuça e disse que tinha muito orgulho em ser nacionalista. "Cada um define-se como entender", rematou Santos Silva.

Faz sentido mudar um ministro dos Negócios Estrangeiros no meio de uma guerra?

Foi mais uma pergunta que o antigo ministro respondeu não respondendo. Depois de ter empurrado a questão para António Costa - "mais uma vez, é uma pergunta que deve colocar ao primeiro-ministro - lá acabou por dizer que foi uma boa substituição. "O que eu posso dizer, como ministro dos Negócios Estrangeiros do XXII Governo, é que fui sucedido, e estou a ser sucedido, por duas personalidades que são incomparavelmente mais competentes que eu próprio. O próprio primeiro-ministro que me substituiu durante 48 horas e agora o novo ministro dos Negócios Estrangeiros". 

Também não quis apontar uma data para o acalmar da guerra na Ucrânia, mas fez questão de dizer que "não estamos ainda numa fase em que as negociações de paz estejam a correr com passos que ambas as partes estejam a aceitar", uma vez que a Rússia continua a prometer tudo e a fazer o seu contrário. Exemplo disso foi os sucessivos bombardeamentos nos arredores de Kiev, depois do Kremlin tem anunciado "reduzir radicalmente" a atividade militar na capital ucraniana e em Chernihiv. 

Do ponto de vista das operações militares, o antigo ministro foi perentório em dizer que "os objetivos definidos publicamente pelo presidente Putin foram falhados", na medida em que a guerra já dura há mais de um mês e o presidente russo sempre afirmou que a conquista da Ucrânia seria rápida.

"Creio que o que conta aqui, mais do que as palavras, são os actos. E, neste momento, a Rússia continua a ser a potência invasora, continua a ser o agressor, continua a ser aquele que incumpre, para não dizer que viola flagrantemente, o direito internacional, incluindo a lei da guerra". 

Relacionados

Novo Dia CNN

5 coisas que importam

Dê-nos 5 minutos, e iremos pô-lo a par das notícias que precisa de saber todas as manhãs.
Saiba mais

Política

Mais Política

Patrocinados