O mundo está diferente, o Orçamento é o mesmo: Costa, dia 1 do 3.º Governo

30 mar, 23:06

Grande parte do discurso de tomada de posse do primeiro-ministro foi sobre sobre o que o Governo anterior fez sob "tormentas e tempestades". Quanto ao futuro: falou menos e foi mais vago - quando não o foi, lembrou o Orçamento do Estado que fez cair o Governo anterior e que o trouxe até aqui, a uma maioria. O Orçamento é o mesmo, o mundo é que está diferente - tem uma guerra

António Costa quer "virar a página" da pandemia (e também a da guerra) com a mesma "ambição e coragem" - palavras do próprio - com que o fez 2015, a seguir à austeridade. Para defender essa mesma tese começou por listar no seu discurso de tomada de posse aqueles que considera serem "feitos" do Governo anterior: cumprimento "com distinção da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia"; negociação do próximo PT 2030; encerramento das centrais elétricas mais cedo do que o previsto; redução do abandono escolar; "saldo migratório e saldo populacional positivo"; redução do número de pessoas em risco de pobreza. 

Sobre o futuro, o líder do Executivo disse apenas que tem uma proposta de Orçamento do Estado pronta a ser executada. Uma proposta que foi elaborada antes da invasão russa na Ucrânia, antes da crise dos combustíveis e da energia, antes de uma grande crise de refugiados e antes das ameaças de Putin a toda a Europa. Mas Costa não fez grande menção a esses fatores e voltou a relembrar os portugueses das 'coisas boas' deste Orçamento: aumento extraordinário de pensões com efeitos retroativos, redução do IRS para a classe média e, por exemplo, o início da gratuitidade das creches. "Vamos saber enfrentar os impactos da guerra e prosseguir a nossa trajetória de desenvolvimento e crescimento." 

Ao longo dos últimos seis anos, António Costa ficou calejado contra "tormentas e tempestades" e quis passar a mensagem de que este guerra era só mais um desafio (que vai ser bem-sucedido). "Os portugueses exigem que recuperemos o tempo perdido com uma crise política que não desejavam, continuando o caminho que temos vindo a percorrer e a avançar para um país mais justo, mais próspero e mais inovador. É essa coragem e ambição que este Governo garante. Foi nessa expectativa que os portugueses nos transmitiram um voto de confiança e é essa confiança que queremos honrar."

Se o Presidente da República dedicou 10 minutos a analisar os possíveis contornos da guerra a nível global, o primeiro-ministro mencionou "guerra" sete vezes ao longo de um discurso composto por 2025 palavras. Se Marcelo diz que é preciso "começar um novo ciclo", Costa fala em virar mais uma página.

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