opinião
Colunista e comentador

As lágrimas da Rita e o coração do Eduardo (Madeira)

11 abr, 09:22
CNN

Não pode ser fácil trabalhar em cenários de guerra, não apenas no plano físico, mas fundamentalmente no plano psicológico.

Se em condições normais trabalhar como enviado especial é sempre uma canseira — não me esqueço de 15 dias na então União Soviética, onde fazer uma chamada de Leninegrado (hoje São Petersburgo) para Lisboa, passando por Moscovo, demorava uma eternidade —, produzir trabalho jornalístico de grande responsabilidade debaixo do ruído de sirenes, do rebentamento de mísseis e, sobretudo, no cruzamento com cadáveres, imagens de horas e testemunhos de gente destroçada e esventrada nos seus sentimentos, não é para todos.

Muita gente coloca-se à frente do ecrã como se aquilo fosse um filme produzido pela Netflix, mas aquilo é real, por muito que o Kremlin nos queira fazer crer o contrário.

Por isso, se sempre mostrei muito respeito por todos os técnicos da área da saúde, com a eclosão da pandemia; se não há forma de não mostrar respeito por todos aqueles que tentam assegurar a proteção e a segurança públicas, não consigo deixar de olhar para uma boa parte dos ‘repórteres de guerra’ com parte desse respeito.

O foco tem de estar, bem sabemos, nas vítimas, em primeiro lugar, nas vítimas directas e indirectas e no apoio que lhes pode ser dado (a visita de URSULA VON DER LEYEN a Kiev foi nesse aspecto muito significativa); o foco deve estar o menos possível nos profissionais de informação, embora eles tenham passado a ser ‘notícia’ pela curiosidade que suscitam, através daquilo que fazem.

Não vale a pena escamotear. É assim. Vivemos no tempo das redes sociais e TODOS publicam (se quiserem).

A RITA RODRIGUES (CNN PT) protagonizou há dias um episódio que resume muito bem o que somos: pessoas.

Tudo por causa da notícia que acabava de ler, ilustrada por uma fotografia de uma bebé que tinha escrito nas costas informações como o nome, a data de nascimento e o contacto telefónico de familiares para o caso de os pais falecerem durante a guerra.

A RITA, pessoa e mãe, desatou a chorar e, na saída daquele bloco informativo, exclamou, com a voz embargada: “Não há mais nada a dizer!”

Sim, RITA, “não há mais nada a dizer” quando o ser humano despreza as crianças, ao ponto de lhes ceifar as vidas. Por cada criança morta devíamos impor a nós próprios um minuto de silêncio.

O humorista EDUARDO MADEIRA, habituado a rir e a fazer-nos rir (o ‘número’ a imitar o CRISTIANO RONALDO é que merece uma estátua), reagiu com o coração: “Não é preciso ser mãe para se perceber o que sente esta jornalista. É preciso ser humano”.

Há quem olhe para estas coisas com uma frieza medonha, há até um partido em Portugal  (PCP) capaz de se opor a uma intervenção de ZELENSKY na Assembleia da República (“Não vai ao encontro do objectivo de defender a paz”), que é uma coisa indecente e não ideológica, porque a decência tem de vir antes da ideologia, mas eu queria ver algumas destas eminências, tão parvas quanto pardas, a ver entrar um míssil pelas suas janelas enquanto bebem a bica e leem o Avante.

Isto é lutar pela liberdade?!…

Apetece-me repetir mil vezes a RITA: “Não há mais nada a dizer!”

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