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Colunista e comentador

Árbitros ameaçados? Fechem a Liga!

12 abr, 13:13
Boavista-FC Porto (MANUEL FERNANDO ARAÚJO/Lusa)

Neste último ‘Rui Santos em Campo’ voltei a afirmar que “os árbitros portugueses, genericamente, não têm condições para dirigir os jogos da Liga”, em linha com a exigência de terem de ser isentos e independentes e estarem ali para exercerem a sua condição de reguladores de cada partida de futebol.

O mundo da bola, em Portugal, é intratável e os nossos dirigentes, em matérias que têm a ver com a transparência e a verdade desportiva, são do pior que existe na Europa.

Não defendem a indústria. Defendem os seus próprios interesses e nada fazem para sacudir o regime superimplantado dos comissionistas e daquilo que eles significam para muita gente.

Há exceções? Sim, existem mas o futebol português continua sob a magna influência de um dirigismo que não faz nada para proteger nem o jogo nem o espectáculo, viciado nas dinâmicas de influência(s) aterradoras.

Habituaram-se a pressionar.

Há quem o faça de uma forma ‘apenas’ excessiva, através das ‘comunicações’, pelo ruído que causam; mas há quem vá mais longe, ameaçando os próprios árbitros, as suas famílias ou vandalizando espaços físicos dos quais os árbitros ou os seus familiares/sócios são proprietários.

Não são tratados como tal, mas os árbitros são pessoas com agregados familiares e é suposto terem vida própria como qualquer cidadão.

Vou dar-lhes — como dei neste último programa — o exemplo de quem é considerado o melhor árbitro português: ARTUR SOARES DIAS.

Não está em causa a sua competência mas as pressões e as ameaças de que foi alvo. É público.

Depois de um processo de uma visita nada romântica antes de um jogo em Paços de Ferreira, ARTUR SOARES DIAS entendeu abrir um estabelecimento comercial na cidade do Porto. Também foi público e notório.

Seja no Porto ou em Lisboa, em Braga ou Guimarães, raciocinem comigo: com o tipo de intervenção que têm as nossas ‘claques’, muito ativas em momentos muito específicos, acham que os árbitros — num ambiente destes — estão em condições de ‘julgar’ alguma coisa?

Quando (não) levam o apito à boca estão a pensar nas leis de jogo ou estão a pensar na sua protecção e na dos vidros dos seus estabelecimentos comerciais?

Trago aqui à colação este exemplo de ARTUR SOARES DIAS, por ser um árbitro relevante (condicionado em Portugal, pelo que se vê; impositivo, quase sempre, quando vai apitar ao estrangeiro), mas poderia trazer outros, como o de MANUEL MOTA, que deve ter uma relação estreitíssima com as companhias de seguros…

É preciso olhar para estas coisas, sem tabus, porque estas coisas contam e fazem toda a diferença nas contas do campeonato. Acresce que no recente Boavista-FC Porto, ARTUR SOARES DIAS foi contra a recomendação do VAR desse jogo, JOÃO PINHEIRO, e este foi agora nomeado como árbitro de campo do V. Guimarães-FC Porto.

Como é que entra em campo um árbitro que, num ambiente de pressões do arco da velha, tem uma decisão contrária aos interesses de um candidato ao título e que muita polémica gerou? Em situações de apreciação subjectiva, vai armar-se em herói?

O nomeador (JOSÉ FONTELAS GOMES) não tem a noção destes condicionamentos óbvios ou vêm dizer-me que os árbitros, com o advento do profissionalismo, são agora à prova de bala?

Sejamos claros: os árbitros portugueses, com o ambiente que se gerou e com as ameaças que pairam no ar e se manifestam de forma às vezes brutal, não têm condições para apitar em Portugal e isso nota-se bem no campeonato português. Com graves consequências para a verdade desportiva.

Mais valia fechar a Liga porque, assim, perante a constatação (todos sabem a realidade!) e os silêncios, o esforço e a qualidade de jogadores e dirigentes, que nós gostamos e aplaudimos, esbarra sempre na atividade daqueles que fazem tudo para a edificação da farsa.

Estão abertas as inscrições para perceber quem se manifesta preocupado verdadeiramente com a saúde do futebol em Portugal. Ou, mais concretamente, com a falta dela.

Pressinto que vai dominar a abstenção. O medo (não) vota.

NOTA - Em próximo artigo vamos refletir sobre o papel dos ex-árbitros no papel de comentadores.

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