Como chegou a varíola dos macacos à Europa? Uma possível explicação

CNN Portugal , HCL
19 mai, 12:19
Varíola dos macacos (Cynthia S. Goldsmith, Russell Regner/CDC via AP)

Aumento das viagens com o fim das restrições covid pode ser explicação para o surto em Portugal, Espanha e Reino Unido. Tese é de um professor de saúde pública internacional da London School of Hygiene and Tropical Medicine, que avisa que é preciso “levar a sério” a doença

Portugal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos estão a registar surtos de varíola dos macacos, uma doença viral, que foi detetada pela primeira vez em macacos, e que raramente se espalha para além da África Ocidental e Central. 

Como chegou, então, à Europa?

Um dos possíveis cenários que pode explicar os surtos que se estão a registar é o maior número de viagens que se regista desde o fim das restrições impostas pela pandemia de covid-19 no mundo, explica Jimmy Whitworth, professor de saúde pública internacional da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

“A teoria que estou a construir, e há bastantes evidências disso na África Ocidental e Central, é que as as viagens foram retomadas e é por isso que estamos a observar mais casos" de infeção, afirmou Whitworth, em entrevista à Reuters.

O professor garantiu também que a varíola dos macacos “não vai causar uma epidemia internacional como a covid”, mas defendeu que se trata de “um surto sério de uma doença grave”. “Temos de levar isto a sério”, sublinhou.

A descoberta de um surto de varíola dos macacos colocou os virologistas em alerta. Em Portugal, os últimos números da Direção-Geral de Saúde dão conta de 14 casos confirmados e a preocupação surge também por este vírus pertencer ao tipo Ortopoxvírus, do qual faz parte também o vírus da varíola comum ou o que provoca a varíola das vacas. 

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É desconhecida ainda a forma como este vírus infeta os seres vivos, sabendo-se apenas que mamíferos como roedores e primatas originários de África podem ser hospedeiros da doença e transmiti-la aos seres humanos. É aquilo a que se chama uma doença zoonótica, tal como a covid-19, porque é transmitida de animais para humanos.

Ao contrário da covid-19, contudo, a varíola dos macacos não se espalha facilmente de humano para humano. Normalmente, requer interação com animais que carregam o vírus, ou contacto muito próximo com pessoas infetadas, ou com roupas, toalhas e móveis contaminados. Também ao contrário do coronavírus SARS-CoV-2, a varíola dos macacos não é conhecida por se espalhar de forma assintomática. 

As pessoas que sofrem uma infeção geralmente desenvolvem febre e uma erupção cutânea, com bolhas visíveis. Estes sintomas geralmente desaparecem após algumas semanas. No entanto, a varíola dos macacos pode levar a doenças graves, com surtos que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde,  têm uma taxa de letalidade entre 1% e 15%, com doença grave e morte mais frequente entre as crianças.

Em Portugal, os casos confirmados até ao momento ocorreram em homens e na região de Lisboa, no entanto, a infecciologista Margarida Tavares, do grupo de trabalho da Direção-Geral da Saúde, disse à CNN Portugal que ainda é cedo para se falar numa doença sexualmente transmissível.

Já Luís Mendão, do Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT), que dá apoio de saúde sexual aos grupo mais vulneráveis, e que ajudou a identificar vários dos casos de varíola dos macacos em Portugal, apela a que “quem tenha lesões na pele evite ter contactos físicos e relações sexuais”, sublinhando que até os abraços e beijinhos podem ser perigosos.

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