Varíola dos macacos: o que se sabe sobre a doença rara que agora chega a Portugal

18 mai, 12:15
Varíola dos macacos (CDC)

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, esta é a primeira vez que Portugal tem um caso da doença. Os sintomas, a gravidade, a prevenção e o tratamento neste explicador

A Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou esta quarta-feira os primeiros casos de varíola dos macacos em Portugal. Depois do Reino Unido, a doença chega também ao nosso país. Trata-se de uma patologia rara, mas da qual já existe alguma documentação.

Quando foi descoberta a varíola dos macacos?

A varíola dos macacos foi detetada pela primeira vez em 1958, de acordo com os dados do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla original). Dois surtos de um vírus desconhecido foram identificados em colónias de macacos utilizados para pesquisa, o que acabou por levar ao batismo de varíola dos macacos.

Quando foi registado o primeiro caso humano?

O primeiro caso humano desta doença foi descoberto apenas em 1970, na República Democrática do Congo, quando se faziam grandes esforços para erradicar a varíola daquele país. Desde então que a doença tem sido diagnosticada em vários países da África Central e Ocidental, sendo que também já tinha havido registos nos Estados Unidos, Israel ou no Reino Unido, por exemplo.

A quantos países já chegou a doença?

Atualmente, é difícil dizer quantos países estão a ser afetados pelo surto, mas a Organização Mundial de Saúde mantém um mapa atualizado sobre a evolução da doença. Ainda sem contar com Portugal, que agora regista os seus primeiros casos de sempre, foram, desde a sua descoberta, registados casos nos seguintes países:

  • Serra Leoa (transmissão local)
  • Libéria (transmissão local)
  • Costa do Marfim (transmissão local)
  • Nigéria (transmissão local)
  • Camarões (transmissão local)
  • Gabão (transmissão local)
  • Congo (transmissão local)
  • República Democrática do Congo (transmissão local)
  • República Centro-Africana (transmissão local)
  • Benim (importado)
  • Sudão do Sul (importado)
  • Estados Unidos (importado)
  • Reino Unido (importado)
  • Singapura (importado)
  • Israel (importado)

Como surge e quais os sinais e sintomas?

A varíola dos macacos é uma doença rara causada por um vírus ao qual foi dado o mesmo nome. Sabe-se que pertence aos vírus do tipo Ortopoxvírus, tal como o vírus da varíola comum ou aquele que causa a varíola das vacas. A forma como este vírus se instala nos seres vivos é, no entanto, desconhecida, sabendo-se apenas que mamíferos como roedores e primatas originários de África podem ser hospedeiros da doença e transmiti-la aos seres humanos. É aquilo a que se chama uma doença zoonótica, tal como a covid-19, porque é transmitida de animais para humanos.

O Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças da Europa (ECDC, na sigla original) destaca que este vírus é o mais prevalente do tipo Ortopoxvírus desde a erradicação da varíola comum.

De acordo com o CDC, os efeitos da varíola dos macacos em seres humanos são semelhantes, embora menos graves, aos verificados numa infeção por varíola comum. A doença começa com febre, dores de cabeça, espasmos musculares e cansaço. A grande diferença entre a varíola dos macacos e a comum é que a primeira provoca inchaço nos nódulos linfáticos.

O período de incubação da doença costuma ser de 7 a 14 dias, mas pode variar entre os 5 e os 21 dias em relação à exposição.

Assim que aparece a febre, até três dias depois devem manifestar-se também sintomas dermatológicos, como o aparecimento de zonas irritadas na pele. É também comum outros sintomas na pele como máculas, pápulas, vesículas, crostas ou pústulas.

Costuma durar entre duas a quatro semanas.

Varíola dos macacos em criança (CDC)

 

Quão perigosa é a doença?

Segundo o CDC, os relatos que chegaram de África indicam que a varíola dos macacos causou a morte a uma em cada dez pessoas que ficaram doentes. Uma taxa alta, mas ainda assim bastante abaixo da varíola comum, que antes de ser considerada erradicada, por meio da vacina, matava cerca de 30% dos doentes, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

Como se dá a transmissão?

A transmissão da varíola dos macacos dá-se por diferentes formas: entrada do vírus por uma ferida, pelo trato respiratório e pelas mucosas da boca, olhos ou nariz. O contágio pode ainda ocorrer pela mordidela de um animal infetado ou pela ingestão de carne de animal selvagem que estivesse contaminada. A transmissão de humano para humano dá-se, sobretudo, através da respiração. “As partículas não conseguem viajar por mais do que uns metros, pelo que um contacto cara-a-cara prolongado é necessário [para o contágio]”, esclarece o CDC.

Como prevenir o contágio?

O principal conselho dos especialistas passa por evitar o contágio com animais que podem ser hospedeiros do vírus, mesmo em caso de estarem mortos. Isto é válido para mamíferos como roedores ou macacos. O contacto com material que tenha estado em contacto com este tipo de animais também é desaconselhado.

Em caso de haver alguém doente, deve fazer-se o isolamento adequado, prevenindo outras pessoas de serem contagiadas.

Como em quase todo o tipo de doenças contagiosas, uma boa higiene corporal, como lavar as mãos frequentemente, é aconselhado, nomeadamente depois de um contacto com um animal. O CDC recomenda uma lavagem de mãos com água e sabão ou álcool-gel.

Como tratar uma infeção com varíola dos macacos?

“Não existe uma vacina ou um tratamento aprovados para tratar a varíola dos macacos”, concordam os CDC europeu e norte-americano.

Mas há uma coisa em que os dois discordam. Os primeiros referem que, para controlar um surto, podem ser utilizados tratamentos aprovados para a varíola, como antivirais ou a administração de imunoglubina. O ECDC não recomenda esta prática.

Além disso, e para controlar um surto ocorrido em 2003, os Estados Unidos decidiram vacinar 30 pessoas com a vacina da varíola comum. Uma vacina mais atualizada, e que os europeus dizem ter menos riscos, foi depois administrada em cidadãos do Reino Unido ou Singapura, nos anos de 2018 e 2019, respetivamente.

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