"Quem me dera ter falado". James Cameron detetou falhas no Titan (e garante que soube da implosão logo no primeiro dia)

23 jun 2023, 07:42

Realizador de cinema deixa críticas à forma como foi construído o submersível e traça um paralelismo com o Titanic

James Cameron soube desde o início que a expedição do submersível Titan tinha acabado da pior forma, com a implosão do veículo e a morte dos cinco tripulantes.

O realizador de cinema contou à agência Reuters que percebeu, logo no primeiro dia, que algo tinha corrido seriamente mal. “Tivemos confirmação em cerca de uma hora [após o início da expedição] de que uma explosão barulhenta tinha ocorrido na mesma altura que se perdeu o contacto [com o submersível]”, contou o cineasta.

“Uma grande explosão no hidrofone. A perda do transponder. A perda de comunicações. Sabia o que tinha acontecido. O submersível tinha implodido”, acrescentou, garantindo que enviou imediatamente um email aos seus colegas a contar que tinham “perdido alguns amigos” e que o veículo estava “desfeito no fundo” do mar.

De resto, James Cameron, que realizou o icónico “Titanic”, tendo visitado por várias vezes os destroços do navio, sublinhou que sempre achou esta missão errada. O realizador penitencia-se por não ter emitido mais avisos, revelando que gostava de ter avisado mais cedo para a situação.

Tudo porque, como contou na entrevista à agência Reuters, sempre achou a engenharia do casco arriscada.

“Pensei que era uma ideia horrível. Quem me dera ter falado, mas assumi que alguém era mais esperto que eu, sabem, porque nunca tinha experimentado aquela tecnologia, mas soou logo mal”, explicou.

Apesar de ainda não existir uma causa oficial para a implosão do Titan, James Cameron, que é dono de parte de uma empresa que também opera submersíveis, acredita que as suposições dos especialistas estão certas: o casco de fibra de carbono e de titânio permitiram a delaminação e a entrada de água ao longo do tempo, acabando por levar a uma falha que era inevitável.

James Cameron lembrou que os cascos destes veículos costumam ser feitos de aço, titânio, cerâmica ou acrílico, que são materiais mais indicados para conduzir testes. “Estamos a celebrar a inovação, certo? Mas não devíamos utilizar um veículo experimental com passageiros que pagaram e que não são engenheiros oceânicos”, reiterou James Cameron.

O realizador faz ainda um paralelismo com a tragédia do Titanic, apontando que ambos os casos foram precedidos de vários avisos. No caso da embarcação, onde morreram cerca de 1.500 pessoas, o capitão foi avisado para não navegar numa noite sem visibilidade, num alerta que previa precisamente a existência de icebergues.

“Aqui estamos outra vez. No mesmo lugar. Agora há um destroço ao lado de outro pela mesma razão”, concluiu James Cameron.

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