Tenho um teste positivo para covid-19. E agora?

30 dez 2021, 07:30
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Numa altura em que se atingem recordes nos casos de infeção em Portugal, recordamos o que deve fazer depois de ter um teste positivo, se está em isolamento profilático ou se tem sintomas de covid-19 mas ainda não fez o teste

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Se é verdade que a pandemia está menos grave do que há um ano, o facto é que nunca tivemos tantas pessoas com testes positivos em Portugal. Depois de ser quebrado o recorde dos 26.867 casos, o número de infeções deverá continuar a aumentar nas próximas semanas, razão pela qual lhe apresentamos um guia útil para seguir no caso de contagiado, ter tido contacto com um positivo ou estar em isolamento profilático. 

1. Tenho um autoteste positivo mas estou assintomático

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Se não tem sintomas mas fez um autoteste e o resultado foi positivo, este teste tem de ser validado. “Um autoteste não é diagnóstico”, refere Diogo Urjais, Presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, e deverá ser confirmado com um PCR ou um teste de antigénio numa farmácia, caso a realização do PCR represente ainda alguma demora. “Ligamos à Saúde 24 ou contactamos o nosso médico de família”, esclarece o enfermeiro. 

Confirmado o positivo, sabe-se já que o isolamento é de dez dias e o doente tem direito a baixa médica, que é passada pelo médico de família. Estando assintomático, ao décimo dia não necessita de fazer novo teste para confirmar a alta. “Depois da validação do positivo, a lógica seria ser contactado pela autoridade de saúde pública para fazer o rastreio de contactos, mas com este número de casos a autoridade pode não conseguir. Aqui, as pessoas devem ser responsáveis e contactar conhecidos e familiares com quem estiveram nas últimas 48 horas e informá-las”, esclarece o enfermeiro. “É impossível chegar-se a todo o lado e nem sempre a Saúde Pública consegue contactar o utente para o rastreio epidemiológico”, lamenta Diogo Urjais. 

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Em resumo, com um autoteste positivo mesmo sem sintomas, deverá isolar-se de imediato, validar o teste e contactar o centro de saúde para pedir a baixa a que tem direito, e que é paga a 100%, sem esquecer de avisar os mais próximos ou com quem esteve nas últimas 48 horas. 

2. Tenho sintomas mas ainda não fiz teste

A verdade é que, apesar do número de casos crescente, “nem todas as doenças são covid-19”, mas o ideal é fazer um teste de antigénio o mais rapidamente possível, mesmo sem contactos de risco. “Tem acontecido que o primeiro teste dê negativo mas depois um PCR dê positivo", admite Diogo Urjais. 

Se fizer um teste de antigénio negativo, pode assumir que não tem covid-19 mas continuar a ter o máximo de precauções - “não multiplicar contactos, não ir a jantares sem máscara, resguardar-me no local de trabalho”. No caso de os sintomas continuarem - tosse, febre, cansaço, dores no corpo, perda de paladar ou olfacto - o utente pode contactar o SNS 24 (808 24 24 24) e pedir prescrição para PCR, isolando-se. “Mas um teste de antigénio feito até ao quinto dia após início dos sintomas tem uma fiabilidade muito grande”, garante Diogo Urjais, apesar de existir uma “pequena percentagem destes testes que dão falsos positivos e negativos". 

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3. Sou contacto de um positivo 

Idealmente, o contacto com um caso positivo leva a que vá receber um telefonema das equipas de rastreamento epidemiológico com indicações. Mas, devido à sobrecarga dos serviços, esse contacto pode atrasar-se ou não acontecer. “Um contacto de risco sem máscara deve sempre fazer um teste PCR. Se fica isolado ou não depois do teste, deverá ser avaliado pelas autoridades de saúde”, explica Diogo Urjais.

Se não houver intervenção das equipas de rastreio, deverá isolar-se e contactar o SNS 24 ou o médico de família e fazer um teste PCR idealmente “no quarto ou quinto dia após o contacto de risco”, refere o enfermeiro. Com teste negativo, se estiver vacinado e não for coabitante de alguém com covid-19 deverá ter alta. “Essa é a interpretação da norma, mas depende sempre de avaliação. Uma coisa é irmos ao café, outra é estarmos num jantar de Natal durante horas consecutivas. Mesmo vacinados, pode haver risco”. Assim, a autoridade de saúde poderá determinar que faça na mesma dez dias de isolamento, se considerar que se justifica. 

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Sendo coabitante de um caso positivo, tem de ficar em casa dez dias e a declaração de isolamento deve chegar-lhe da autoridade de saúde pública local. Em isolamento profilático deve fazer teste ao quinto e ao décimo dia para ter alta - caso não queira fazer teste ao último dia, tem de fazer isolamento de 14 dias. Na eventualidade de ter teste positivo ao décimo dia, deverá contactar o médico de família para que lhe seja passada a baixa por covid-19. 

“Um positivo tem direito a baixa e não precisa de contactar com a saúde pública, apenas com o centro de saúde”, explica Diogo Urjais. “Vão ter uma baixa de dez dias e têm cinco dias úteis para a entregarem à entidade patronal. Esta baixa é passada pelo médico de família, pelo que não precisam de sobrecarregar os serviços com 500 mil telefonemas, por isso é que a Saúde 24 ou as Unidades de Saúde Pública estão a explodir. Claro que devia ser um processo automático, e isso seria outra conversa”, refere o enfermeiro.

Ou seja, se está em isolamento e o seu teste veio positivo, percorre o percurso normal: contacta o seu centro de saúde e aguarda que lhe seja enviado o documento que deve apresentar ao seu empregador. Não deverá sobrecarregar o SNS24 devido a burocracias se estas não puderem ser resolvidas por quem faz o atendimento, deixando a linha livre para quem mais precisa.

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4. Tenho teste positivo e estou sintomático 

Neste momento, é inegável a demora na resposta dos serviços de saúde mesmo a quem tem sintomas leves ou menos leves de covid-19. “Temos ficheiros médicos com 50 ou 60 doentes covid, é impossível ligar imediatamente. Se tem covid, já sabe, tem de ficar em casa pelo menos dez dias e aguardar contacto”, atalha Diogo Urjais, que admite que, porque temos um país assimétrico e com falta de médicos de família, haverá regiões com melhor resposta do que outras. 

Os sintomas de covid-19 mais comuns são a febre, tosse seca ou produtiva, falta de apetite, cansaço, dor de garganta, dor de cabeça, mialgias, perda de olfacto e de paladar. Paracetamol ou ibuprofeno costumam ser suficientes para fazer com que os sintomas cedam e, por norma, depois do quinto dia de infeção “os doentes vão melhorando, exceto a perda de sabor ou cheiro, que pode prolongar-se por três ou quatro semanas sem qualquer problema” e não impede a alta, diz Diogo Urjais. 

Os sinais de alerta nos casos mais graves são sobretudo dois, avisa o enfermeiro: falta de ar, com grande dificuldade respiratória, e febre que não cede à medicação. “São sintomas para que se recorra à urgência ou para chamar o 112”, diz Diogo Urjais. Ter um oxímetro para medir o nível de oxigénio no sangue “é desnecessário”, considera o enfermeiro, a não ser para pessoas com maiores riscos, nomeadamente com asma, doença pulmonar obstrutiva crónica ou outras comorbilidades. “Mas pessoas mais novas aguentam saturações mais baixas”, refere. No caso de lhe ser aconselhado o uso de oxímetro, um valor abaixo de 95 “já é sinal de que algo se passa”, explica Diogo Urjais. O normal é estar pelos 98 ou 99 de saturação de oxigénio no sangue, sublinha. 

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É preciso ter cuidado também com um agravamento galopante dos sintomas que costuma acontecer - “apesar de ser em pequena percentagem” - no início da doença, alerta Diogo Urjais. “E como estamos a falar de uma doença viral, um bom descanso, boa hidratação e boa alimentação ajudam a minimizar os possíveis efeitos e a potenciar a recuperação”, frisa o enfermeiro.

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