Exclusivo. SEF demorou meses a dar à PJ lista de potenciais suspeitos de agressão sexual no aeroporto

21 out, 19:57

Uma mulher de 35 anos acusa um inspetor do SEF de agressão sexual, em 2018

A mulher de 35 anos que denunciou um inspetor do SEF por agressão sexual relata, de forma pormenorizada, os crimes violentos que diz ter sofrido desde logo dentro de uma carrinha, durante um transporte no aeroporto. Era, por isso, crucial para a Polícia Judiciária perceber quem acompanhou aquela mulher até ao destino, onde os abusos terão continuado. Saber quem foi o condutor da carrinha. Mas o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras nunca o identificou, prejudicando com isso a investigação. 

Há testemunhos que indicam que o nome do condutor devia constar no registo de ocorrências daquela noite, em maio de 2018, mas nenhum nome lá estava.

A direção do SEF, de resto, demorou meses a fazer chegar ao processo a lista dos inspetores que tinham estado de escala. Por isso a investigação arrastou-se no tempo, acabando por coincidir, já em 2020, com outra, pela morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, assassinado por outros três inspetores do SEF nas instalações do aeroporto.

Neste caso, a vítima seguiu para o estrangeiro, depois de ter sido repatriada, e regressou a Portugal para colaborar com a investigação. Descreveu em pormenor a noite de terror que vivera em Lisboa, e numa linha de reconhecimento onde estavam todos os inspetores do SEF que tinham trabalhado naquela noite não teve dúvidas em apontar o dedo a um. Diz reconhecer também uma marca física do suspeito.

Este, confrontado, diz que já não estava no aeroporto à hora do suposto crime, saíra mais cedo, e a sua defesa apresentou um registo de hora de saída. Segundo o Expresso, tem também um talão de compra numa grande superfície. O que a PJ não teve forma de confirmar, porque já não encontrou imagens de videovigilância que ajudassem a esclarecer os factos.

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