Reino Unido "aberto" para pedido formal de desculpas por causa da escravatura

Há 16 min
O rei Carlos III da Grã-Bretanha dá as boas-vindas a Andy Burnham, à esquerda, durante uma audiência no Palácio de Buckingham, em Londres, onde convidou o líder do Partido Trabalhista para assumir o cargo de primeiro-ministro e formar um novo governo, na segunda-feira, 20 de julho de 2026. (Aaron Chown/Pool Photo via AP)
O rei Carlos III da Grã-Bretanha dá as boas-vindas a Andy Burnham, à esquerda, durante uma audiência no Palácio de Buckingham, em Londres, onde convidou o líder do Partido Trabalhista para assumir o cargo de primeiro-ministro e formar um novo governo, na segunda-feira, 20 de julho de 2026. (Aaron Chown/Pool Photo via AP)

Carlos III afirma que o comércio transatlântico de escravos foi um "capítulo vergonhoso da história"

O Reino Unido concordou em participar em negociações “estruturadas, com prazos definidos, inclusivas e de boa-fé” para colmatar os “danos históricos” do comércio atlântico de escravos, segundo os líderes da Commonwealth.

Depois de o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ter estado presente na Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth (CHOGM) em Antígua e Barbuda juntamente com rei Carlos III afirmou que o Reino Unido estava “aberto” a fazer um pedido formal de desculpas pelo papel no comércio transatlântico de escravos, mas descartou a possibilidade de pagar reparações financeiras.

O ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, foi questionado numa entrevista à BBC1, citada pelo The Guardian, sobre o possível pedido de desculpas pelos quase 250 anos (1550-1807) em que a Grã-Bretanha amplificou o comércio de escravos e sobre as indemnizações que estão a gerar controvérsia. 

Healey começou por explicar que o primeiro-ministro estava aberto a “uma discussão sobre um pedido de desculpas”, mas “ele não acredita que as reparações sejam a abordagem correta”. O ministro acabou por utilizar o mesmo argumento de Burnham, de que o povo britânico não deveria ter de pagar pelos erros do passado.

Carlos III afirmou que o comércio transatlântico de escravos foi um “capítulo vergonhoso da história”, mas também disse que não acredita que o povo britânico devesse “ser responsabilizado por erros históricos, por mais hediondos que sejam, que ocorreram numa época diferente, sob leis diferentes e nos quais não teve participação pessoal”.

De acordo com a Sky News, Burnham tem recebido apelos de líderes de nações africanas da Commonwealth, como são os casos de África do Sul e Moçambique, para que pague indemnizações pelos impactos a longo prazo da escravatura. Aí quis "deixar claro que não apoiamos reparações”, mas também apresentou propostas para ajudar os países que têm mais dificuldade em pagar os empréstimos, através de uma “reestruturação da dívida”.

A líder da oposição do Reino Unido, Kemi Badenoch, alertou que um pedido de desculpas poderia levar a novos pedidos de indemnização e ser usado como uma abertura para “reivindicações financeiras”.

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