Deputada do Chega Rita Matias assumiu a responsabilidade pelo convite dos dois jovens e alegou que tinham cartão de visitante
A audição da ministra da Justiça, no âmbito do debate do Orçamento para 2027, esteve esta quarta-feira suspensa após o PS alertar que dois jovens convidados pela deputada do Chega Rita Matias tinham entrado na sala de sessões.
Na sequência do incidente, a ministra Rita Alarcão Júdice saiu da sala de sessões do Parlamento, juntamente com a sua equipa de secretários de Estado, para que os deputados discutissem e eventualmente tomassem uma decisão sobre o que efetivamente se passara no hemiciclo.
A sessão com a ministra da Justiça só foi retomada 20 minutos depois, após uma acesa discussão entre deputados PS, Bloco e PAN, de um lado, e Chega, do outro lado. O PSD, por intermédio de Paulo Marcelo, apelou à calma.
A entrada dos dois jovens na sala de sessões do Parlamento, que se deslocaram à bancada do Grupo Parlamentar do Chega, foi denunciada pelo deputado do PS Pedro Vaz, que sustenta que os dois jovens estavam a filmar e não tinham qualquer identificação.
A deputada do Chega Rita Matias assumiu a responsabilidade pelo convite, alegou que os dois jovens estão a fazer um trabalho escolar, que apenas pretendem conhecer o Parlamento e, ao contrário do que dissera Pedro Vaz, tinham cartão de visitante, “caso contrário não poderiam ter entrado na Assembleia da República”.
O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, acusou o socialista Pedro Vaz de pretender ser “policia” e não ter autoridade para invocar o regulamento aplicado na Assembleia da República.
Mais tarde disse o seguinte: “Fala-se na aproximação dos jovens à política e o PS dá este exemplo”.
O vice-presidente da bancada do PS Pedro Delgado Alves pediu a palavra para frisar que mesmo os jornalistas parlamentares credenciados não podem entrar na sala de sessões, sendo este espaço limitado ao acesso dos deputados e membros do Governo - e assessores de forma transitória. Rita Matias ainda tentou contrapor que, nas reuniões de comissões, os jornalistas sentam-se nas costas dos deputados.
A deputada do PAN, Inês de Sousa Real, considerou estar em causa uma questão de segurança sobre quem efetivamente entra no Parlamento. Referiu que mesmo os assessores parlamentares têm regras de circulação a cumprir.
O presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, o deputado do Chega Rui Afonso, admitiu que esta questão possa ser levada a conferência de líderes. Argumentou que, enquanto conduz os trabalhos, não consegue controlar quem entra ou sai no hemiciclo.
O deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo dirigiu-se precisamente a Rui Afonso, do Chega, dizendo-lhe que se estava numa reunião conjunta de duas comissões sobre o Orçamento e que “devia ter sido avisado” sobre essas presenças.
“Há uma bancada que não cumpre as mais elementares regras do Parlamento”, acentuou o deputado do Bloco de Esquerda, referindo-se à bancada do Chega.
Pela parte do PS, Luís Teste admitiu “boa-fé” no convite feito aos dois jovens que entraram na sala de sessões do Parlamento. Mas o cumprimento do regulamento “é uma questão que tem de ser colocada todos os dias”, acrescentou.
Após o incidente, os dois jovens foram depois sentar-se nas galerias destinadas ao público.