"Do ponto de vista político nada se alterou": Luís Montenegro mantém confiança em Miguel Albuquerque apesar das buscas na Madeira

Beatriz Céu , (notícia atualizada às 17:20)
24 jan, 16:59

Luís Montenegro considera que as suspeitas de corrupção que envolvem altos titulares de cargos públicos e políticos na Madeira, incluindo o presidente do governo regional, "não têm impacto direto" na campanha, ainda que possam "perturbar" a atenção política dos portugueses

O líder do PSD, Luís Montenegro, pediu esta quarta-feira uma "investigação rápida" às suspeitas de corrupção sobre altos titulares de cargos públicos e políticos na Madeira, incluindo o presidente do governo regional, Miguel Albuquerque.

"Espero que esta investigação decorra com rapidez, com diligência e que o quadro de suspeita seja alterado", afirmou, em declarações aos jornalistas, antes da apresentação do programa económico da Aliança Democrática (AD).

Questionado sobre se mantém a confiança política em Miguel Albuquerque, Luís Montenegro respondeu que, "neste momento, com a informação de que dispomos, do ponto de vista político nada se alterou". "Não estou a dizer que a evolução do processo não possa conduzir a mudanças do ponto de vista político", ressalva, salientando, ainda assim, que, para já, mantém a confiança no presidente do governo regional.

"Eu não estou a desvalorizar a situação, isto que fique muito claro", salientou, acrescentando que a informação de que dispõe é ainda "muito limitada".

Poucos minutos antes das declarações de Luís Montenegro, o presidente do governo regional da Madeira garantiu que não se vai demitir do cargo nem mesmo se for constituído arguido, afirmando estar "de consciência tranquila" e sublinhando que a sua prioridade é esclarecer magistrados e colaborar na investigação.

A Polícia Judiciária e o Ministério Público realizaram esta quarta-feira mais de 100 buscas por suspeitas de corrupção e outros crimes associados que envolvem os mais altos titulares de cargos públicos e políticos na Madeira. 

Avelino Farinha, líder do grupo AFA no Funchal, Caldeira Costa, líder do grupo AFA em Braga e Pedro Calado, presidente da câmara do Funchal, foram esta quarta-feira detidos na sequência das buscas. Em comunicado, a PJ informou que "as diligências executadas visaram a recolha de elementos probatórios complementares, a fim de consolidar as investigações dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência".

De acordo com uma nota do DCIAP, em causa na investigação estão factos ocorridos a partir de 2015, “suscetíveis de consubstanciar crimes de atentado contra o Estado de direito, prevaricação, recebimento indevido de vantagem, corrupção passiva, corrupção ativa, participação económica em negócio, abuso de poderes e de tráfico de influência”.

Entre outros factos, de acordo com o Ministério Público, a investigação incide “sobre atuações que visariam condicionar/evitar a publicação de notícias prejudiciais à imagem do Governo Regional [PSD/CDS-PP] em jornais da região, em moldes que são suscetíveis de consubstanciar violação da liberdade de imprensa”.

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