Instalação de Bordalo II? Governo garante que JMJ tem todas as medidas de segurança necessárias

Agência Lusa , AG
29 jul 2023, 17:30
Ana Catarina Mendes (António Pedro Santos/Lusa)

Ana Catarina Mendes fala em segurança trabalhada ao longo de meses, destacando que existem 20 mil agentes portugueses e estrangeiros para garantir que tudo corre como planeado

A ministra adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, garantiu este sábado que foram “todas as medidas tomadas para que haja segurança” durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Lisboa, e considerou que não vale a pena “efabular sobre episódios”.

“Aquilo que posso garantir, falando com o senhor secretário-geral” do Sistema de Segurança Interna, “é que estão todas as medidas tomadas para que haja segurança”, afirmou a ministra aos jornalistas, durante uma visita ao Centro de Imprensa da JMJ, que se encontra instalado no Pavilhão Carlos Lopes, na capital portuguesa.

Ana Catarina Mendes frisou que “o que é absolutamente importante neste momento” é “dar uma palavra de serenidade e tranquilidade”.

“Não vale a pena estarmos a efabular sobre episódios”, acrescentou a governante, referindo-se à intervenção do artista Bordalo II, que estendeu uma "passadeira da vergonha”, composta por representações de notas de 500 euros, no palco-altar no Parque Tejo, numa crítica aos “milhões do dinheiro público” investidos para receber o Papa.

Segundo Ana Catarina Mendes, a segurança “foi trabalhada ao longo de meses para garantir que tudo corre dentro daquilo que é o previsto”.

“Não é por acaso que estão cerca de 20 mil agentes entre os portugueses e aqueles estrangeiros que se juntaram também a nós, num esforço de garantia de segurança de todos os que vão participar” na JMJ.

A ministra referiu que o Governo fez tudo o que estava ao seu alcance “para que o plano de segurança à responsabilidade” do Sistema de Segurança Interna esteja a funcionar no que respeita quer à segurança do Papa Francisco, quer dos peregrinos e de todos os envolvidos na JMJ.

Questionada sobre as declarações do ministro da Administração de Interna, que na sexta-feira rejeitou ter existido uma falha de segurança na instalação da “passadeira da vergonha”, Ana Catarina Mendes reiterou que “não houve uma quebra de segurança, houve, sim, um evento”.

“O meu colega de Governo não desvalorizou e julgo que não vale a pena também interpretar o que não foi dito”, frisou.

A governante congratulou-se pelas condições do Centro de Imprensa do Pavilhão Carlos Lopes, onde começaram já a trabalhar jornalistas que serão “os olhos e a voz” do que acontecer na JMJ.

“Estamos a falar de 4.600 jornalistas e cerca de 500 milhões de espetadores que assistirão, a partir deste centro, a tudo o que aqui vai acontecer”, acrescentou.

Voluntário verificam segurança no Parque Eduardo VII

Dois mil e trezentos voluntários de mais de 100 países fizeram o reconhecimento dos vários setores do Parque Eduardo VII, onde também serão responsáveis pela segurança durante a JMJ.

Os cerca de 2.300 voluntários afetos à segurança do recinto da Jornada são “uma espécie de stewards e vão prestar apoio aos peregrinos” em aspetos como “levar as pessoas aos locais ou garantir que os corredores de segurança estejam livres para que cheguem as equipas do INEM”, explicou à agência Lusa o coordenador da equipa de segurança e proteção civil da JMJ, tenente-coronel Jorge Barradas.

Os voluntários, de mais de uma centena de nacionalidades, tiveram, na última semana, “formações diversificadas, desde motivação, operar com rádios, questões de controlo de multidões, para perceber como é que as multidões se movimentam quando está muita gente, quando está pouca gente”, exemplificou aquele responsável, lembrando que uma das preocupações em termos de segurança é com as saídas, já que “as pessoas vão entrando paulatinamente durante o dia, mas na saída é toda a gente ao mesmo tempo”.

Os voluntários afetos à segurança, que igualmente prestarão serviço no Parque Tejo, atuarão orientados por um grupo de coordenadores e de supervisores “cujo critério [de escolha] foram pessoas falantes de português para que a linguagem no rádio seja portuguesa, seja fluida”, independente da nacionalidade dos voluntários no terreno.

Para o responsável pela segurança na JMJ, “o próprio Parque Eduardo VII é um desafio substancial quando comparado com o Parque Tejo”, atendendo à existência de estátuas que “são um obstáculo, de subidas e descidas acentuadas, das zonas de sombra, que se tiver calor as pessoas vão procurar e gerar muito afluxo”.

Jorge Barradas estimou que ao longo da Jornada as zonas do Marquês de Pombal e da Avenida da República possam tornar-se “complicadas”, estando a ser coordenadas em termos de segurança como “zona autónoma”. A perspetiva é a de grande afluxo de pessoas a partir do dia 03, com a chegada do Papa Francisco, e “no dia 4, na via-sacra, a questão será muito mais complicada, podendo ir até aos Restauradores ou mesmo até ao Terreiro do Paço”, explicou.

Além do reconhecimento do terreno, a formação, no Parque Eduardo VII, foi também “uma preparação para aquilo que será o fim de semana no Parque Tejo”, onde momentos como a vigília e o anúncio do país escolhido para a realização da próxima Jornada serão as alturas “de maior preocupação e onde todos os voluntários estarão alocados”.

Em qualquer dos locais a coordenação de segurança está preparada para uma monitorização permanente dos fluxos de entrada de peregrinos e para a eventualidade de “encerrar os postos de controle de entradas e encaminhá-los para as avenidas próximas”.

A par com os voluntários, a segurança no Parque Eduardo VII contará com uma empresa de segurança privada, que será chamada a atuar se a ação dos voluntários não for suficiente e, só em última instância, será pedida a intervenção da PSP, afirmou Jorge Barradas.

Lisboa foi a cidade escolhida pelo Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer de 1 a 6 de agosto, com as principais cerimónias a terem lugar no Parque Eduardo VII e no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após um encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

O primeiro encontro aconteceu em 1986, em Roma, tendo já passado, nos moldes atuais, por Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

A edição deste ano esteve inicialmente prevista para 2022, mas foi adiada devido à pandemia de covid-19.

O Papa Francisco foi a primeira pessoa a inscrever-se na JMJ Lisboa 2023, no dia 23 de outubro de 2022, no Vaticano, após a celebração do Angelus.

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