Um “exuberante”, outro “discreto”, um invisível mas fundamental. Que políticos se destacaram na JMJ?

ECO - Parceiro CNN Portugal , Mariana Espírito Santo
8 ago 2023, 09:31
O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa na Cerimónia de Acolhimento, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, a propósito da Jornada Mundial da Juventude (LUSA)

Após o fim da Jornada Mundial da Juventude, há políticos cuja imagem vai ficar mais ligada ao evento. Mas há ainda pontas soltas, nomeadamente no que diz respeito às contas do investimento

Finda a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), os balanços que têm sido feitos pelas autoridades têm sido positivos. Mas após muitas polémicas e fricções, qual é o balanço político do evento? Nestes dias que passaram, as caras que têm sido mais associadas à JMJ, além dos responsáveis religiosos, são as do Presidente da República e dos autarcas, com destaque para Carlos Moedas, além de governantes como o ministro da Administração Interna. Ainda que seja “cedo” para avaliar os impactos, o evento pode contribuir para o “saldo político” de algumas figuras.

O maior evento da Igreja Católica, que começou na terça-feira e terminou no domingo, recebeu mais de um milhão de peregrinos. Foi um evento que exigiu bastante coordenação logística e organização, cujo investimento público foi escrutinado e criticado na opinião pública. Mas pelo menos do lado da segurança, não se registaram problemas de grande dimensão.

É por isso que a professora e investigadora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Paula do Espírito Santo, destaca como uma das figuras da JMJ o ministro da Administração Interna, porque, apesar de ainda não existir um balanço concreto, “a nível de participações e dinâmica e incidentes, e em termos gerais de segurança, foi positivo”. “Até recebeu um grande elogio do Papa para a organização do evento, o que implica também segurança e infraestruturas”, nota.

Além disso, o presidente da Câmara de Lisboa e as entidades religiosas estiveram em grande plano. De facto, Carlos Moedas foi uma das caras mais visíveis do evento, que ficou com “um balanço positivo e pode dar futuramente, em termos políticos, algum saldo político que pode ser capitalizado”, admite, ao ECO.

No entanto, especulações sobre as ambições de Moedas podem ainda ser prematuras, considera a politóloga. “Pode ser ainda cedo, há um espaço autárquico importante que quer desenvolver”, diz. Apesar de poder “estar no horizonte o objetivo de ser um dia líder do PSD ou candidatar-se à liderança”, a investigadora considera que o político “ainda quer dar mais provas” e “consolidar mais importância no plano autárquico”.

Já o politólogo e professor catedrático de Ciência Política José Adelino Maltez aponta ao ECO que “institucionalmente são todos” figuras de destaque: “Foi um trabalho coletivo e não houve aproveitamento político“. A postura foi “exuberante” por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, “discreta” por parte de António Costa, e sobressaíram também “os autarcas de Lisboa e Loures”.

Ainda que tenham tido destaque no evento, nesta segunda-feira o primeiro-ministro convidou D. Manuel Clemente, D. Américo Aguiar e a ministra Ana Catarina Mendes para um “almoço de agradecimento” pela organização da Jornada Mundial da Juventude, deixando de fora os autarcas envolvidos nesta Jornada.

No entanto, os politólogos ouvidos pelo ECO não veem um gesto político nesta atitude. “O primeiro-ministro acaba por destacar a componente religiosa do evento e essa não podemos deixar de colocar num plano principal, é o motor da dinâmica que se gerou”, indica Paula Espírito Santo. José Adelino Maltez também aponta que este agradecimento se deve à “cooperação entre Estado e igreja”.

Apesar da “aura positiva” que ainda se sente, há pontas soltas por esclarecer, nomeadamente relativamente às contas do evento. “Está agora a fazer-se o levantamento das consequências e do que o evento trouxe, além da projeção e imagem“, salienta a politóloga, acrescentando que “vamos ver contas que vão ser feitas”.

Será “provavelmente da oposição dentro da câmara de Lisboa ou das oposições autárquicas as mais ativas” que vão surgir exigências do “levantamento dos custos e benefícios” deste evento, vaticina. Perante as críticas, Carlos Moedas defendeu esta segunda-feira que “haverá um valor tangível” relativo à organização da JMJ, garantindo que essas contas “vão ser perfeitamente transparentes”.

Do lado dos partidos, destacou-se também o apoio da esquerda às visões do Papa, nomeadamente económicas. João Ferreira, eurodeputado do PCP, citou várias frases do Papa Francisco no X (antigo Twitter), defendendo por exemplo que “a propriedade privada deve estar sempre subordinada ao destino universal dos bens e ao bem público”.

Já Inês Sousa Real, do PANsinalizou estar “a gostar de ver como assim de repente estão todos muito inspirados pelas palavras do Papa, sobretudo no que respeita ao combate à crise climática!”. “Só falta mesmo passarem das palavras à ação, como o próprio apelou e refere na Encíclica Laudato Sí!”, escreveu.

À direita, a Iniciativa Liberal teve um foco maior nos custos do evento. “Um benefício da JMJ: colocar tanta gente (especialmente à esquerda) a falar pela primeira vez de custo de oportunidade da despesa pública e a fazer análises custo-benefício do investimento em grandes eventos”, defendeu o deputado Carlos Guimarães Pinto. Já o líder do Chega acabou por estar mais afastado do evento, com visitas à Madeira e outros locais durante essa semana, mas traçou críticas à transparência do evento.

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