"Por favor, cala-te": investigação de assédio sexual abala colégio dos diplomatas europeus

19 fev, 16:22
Muitas das casas de Bruges tornam-se ícones de Natal ao acenderem as luzes (CNN)

Mais de 20 antigas alunas e ex-funcionárias da instituição avançaram com denúncias anónimas e garantem que existe uma cultura de encobrimento

O Colégio da Europa, na cidade belga de Bruges, que serve como centro de treino para os diplomatas europeus, está a investigar um dos seus professores por assédio sexual, depois de várias alunas e ex-funcionárias terem denunciado o caso. Denunciantes falam numa cultura de encobrimento que comparam à própria máfia.

A investigação foi aberta depois de um grupo de seis antigas funcionárias e alunas do colégio terem enviado uma carta a Federica Mogherini, reitora da instituição e antiga líder da diplomacia europeia, onde pedem a demissão do docente. Ao todo, entre funcionárias e alunas, o número de vítimas é superior a 20.

Foi garantido aos denunciantes o direito ao anonimato, para que possam fazer as denúncias sem receio de represálias. A identidade do professor não foi tornada pública, mas este terá “ligações profundas” com a política europeia, de acordo com o Politico.

O processo de seleção de alunos para a entrada no Colégio da Europa é considerado “bastante competitivo”. Quase todos os alunos são selecionados em cooperação com os Ministérios dos Negócios Estrangeiros dos diferentes países. Após receber o diploma de mestrado avançado, quase todos os alunos acabam por vir a ocupar cargos altos da diplomacia europeia.

Por esse motivo, muitas das denunciantes ocupam agora posições altas da estrutura europeia. Uma dessas antigas alunas revelou ao jornal norte-americano que existe uma espécie de código de silêncio que se assemelha à “Omertà”, da máfia italiana. “É um: por favor cala-te”, afirma.

A denúncia original surgiu de uma atual aluna do Colégio, que tem pouco mais de 20 anos, e entregou mais de 62 páginas de trocas de e-mails com o professor, que supervisionava a sua tese de mestrado. Na troca de correspondência, a que o Politico teve acesso, o docente tenta, por várias vezes, convidar a jovem para jantar ou beber um copo. “Foi então que tive que colocá-lo de volta no lugar”, disse a aluna.

Esta denúncia foi o suficiente para chamar a atenção de mais de duas dezenas de antigas alunas e ex-funcionárias, que, desde então, têm dado a conhecer os seus casos. Alguns dos casos têm mais de dez anos.

Desde que foi tornado público, o professor foi suspenso, mas continua a trabalhar em várias outras instituições ligadas à diplomacia europeia. Questionado acerca da investigação, o docente disse que aplica a si mesmo “a regra de não falar sobre o caso antes do fim do procedimento”, no entanto, defende que “não há nenhuma regra” sobre o que é “apropriado ou não apropriado” entre alunos e professores.

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