Pão, carne, leite ou hortícolas. Preço dos alimentos vai subir mais do que em todas as secas anteriores

23 fev, 10:29
Seca extrema

Inflação registada no primeiro mês de 2022 é quase quatro vezes superior à verificada em 2017/18 e cerca do dobro da que se registou em 2005/06

Em janeiro, os preços dos produtos agrícolas subiram mais de 4%, em comparação com o período homologo do ano anterior. A razão? O aumento de custos da produção agrícola e pecuária provocado quer pela inflação, quer pelos efeitos da seca.

Estes valores ganham particular interesse quando olhamos para os anteriores anos de, seca como 2018 e 2006. A comparação feita pelo Jornal de Notícias, baseada nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), mostra que a inflação é quase quatro vezes superior à verificada em 2017/18 e cerca do dobro da que se registou em 2005/06.

Nada escapa, do pão à carne, passando pelos produtos hortícolas, leite ou frutas, quase todos os produtos que provenham direta ou indiretamente da agricultura vão sofrer ou já sofreram um aumento abrupto, muito por culpa da seca extrema que atinge por estes dias o território nacional.

Preço dos produtos agrícolas em anos de seca (Fonte: Jornal de Notícias e INE)
  Pão e cereais Carne Peixe Leite, queijo e ovos Óleos e gorduras Frutas Produtos hortícolas Açúcar, confeitaria e mel Outros produtos alimentares Média

2022 (face a 2021)

4,23% 4,17% 4,21% 1,94% 15,99% 0,57% 3,37% 2,16% 0,13% 4,08%

2018 (face a 2017)

1,11% -0,94% 3,34% 0,41% 4,98% 3,56%

-3,26%

0,11% 0,96% 1,14%
2006 (face a 2005) 2,39% 0,09% 3,11% -0,75% 13,74% 2,26% 1,92% -0,38% -1,51% 2,32%

No entanto, os maiores efeitos da seca ainda não estão a ser sentidos pelo consumidor final. Recorde-se que 91% do território nacional, de acordo com a avaliação revelada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), está em seca extrema ou severa e que as previsões não preveem períodos de precipitação tão substanciais que revertam esta situação.

Os agricultores alertam que este cenário vai ser cada vez mais comum e que “atirar dinheiro para cima do problema não o resolve”. Rui Sousa da Leicar (Associação de Produtores de Leite e Carne) diz que a seca veio “somar a crise à crise”.

“Já vínhamos a perder rentabilidade. Depois, veio a pandemia, os problemas na exportação, o fecho de cantinas, restaurantes e hotéis”, diz Rui Sousa.

Os produtores garantem em uníssono que, se não chover, os portugueses vão sentir ainda mais os efeitos económicos deste problema.

Para já, o Governo pretende avançar uma linha de crédito à tesouraria e apoios aos custos com eletricidade, conhecida como eletricidade verde, que se destina a mitigar o impacto da seca. Contudo, estas medidas extraordinárias só poderão ser implementadas quando o novo Executivo entrar em funções, algo que só deverá acontecer para o final de março ou início de abril.

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