Seca será "o novo normal" em Portugal devido às alterações climáticas e a erros na agricultura, alerta a Liga para a Proteção da Natureza

Agência Lusa , BCE
21 fev, 20:05

Para a Liga para a Proteção da Natureza, há culturas que são "um erro" no sul do país, como a plantação de milho, pela quantidade de água que exige

A situação de seca que o país vive será “o novo normal” devido às alterações climáticas e a erros praticados na agricultura, sector que consome 75% da água, defendeu esta segunda-feira o presidente da Liga para a Proteção da Natureza.

“Devemos partir do princípio de que vamos ter esta crise no futuro”, afirmou Jorge Palmeirim em declarações à agência Lusa, lamentando que não tenham sido tomadas medidas antes de as barragens atingirem os níveis atuais.

Para o responsável pela LPN, há culturas que são "um erro" no sul do país, como a plantação de milho, pela quantidade de água que exige.

Neste momento, defendeu, devem aplicar-se cortes na água, especialmente ao sector agrícola, tomando como prioridade o abastecimento das populações.

“É preciso, desde já, cortar na agricultura de uma forma inteligente”, advogou, exemplificando que a cultura de abacates no sul do país também tem um elevado consumo de água.

“Quando há muita água, a tendência é para os agricultores plantarem aquilo que dá mais lucro, quando há crise não querem deixar de regar, porque fizeram investimentos. É um círculo vicioso”, apontou.

De acordo com Jorge Palmeirim, faltaram medidas preventivas para períodos de seca, justificando-se neste momento uma campanha para o sector agrícola, mas também industrial e urbano sobre a poupança de água.

“Quando fazemos uma barragem, aumenta-se a área de regadio também. Novas barragens poderiam ajudar a resolver o problema se não se aumentasse a área de regadio”, disse.

A seca, assegurou, não vai passar: “Vai piorar. A disponibilidade de água no sul do país vai diminuir. Devemos ver a seca como um aviso para não termos de andar sempre a correr atrás do prejuízo”.

Contactado pela Lusa, Jorge Palmeirim frisou que os planos existentes aumentam a quantidade de rega na agricultura, ao contrário do que seria de esperar.

“No fundo, é agudizar os problemas que estamos a sentir. É a mesma coisa que estar num comboio a vir contra nós e em vez de fugirmos do comboio, corrermos contra ele”, declarou, referindo-se a um plano também hoje criticado pela associação ambientalista QUERCUS, em comunicado.

Segundo a QUERCUS, mais de um mês após o término da consulta pública ao estudo “Regadio 20/30 – Levantamento do Potencial de Desenvolvimento do Regadio de Iniciativa Pública no Horizonte de uma Década”, e ultrapassado o prazo legal para a sua divulgação, os pareceres e contributos recolhidos continuam por publicar.

A associação considerou que está em causa “uma falta de transparência inaceitável” e feitas as contas aos investimentos previstos, manifestou-se contra o valor destinado, em vários programas.

“Considerando 233 milhões do Programa Nacional de Regadios, 400 milhões do Programa Nacional de Investimentos (PNI 2030) e o investimento previsto no PRR para a construção da barragem do Pisão, no total estamos a falar de cerca de 1,5 mil milhões para aplicar em regadio na próxima década, valor que ultrapassa as utópicas previsões de necessidade de investimento apresentadas num recente estudo divulgado pela FENAREG, entidade que representa mais de 90% do regadio organizado nacional”, lê-se no documento emitido pela Quercus esta manhã.

A associação entende que a “seca severa” que assola o país “em níveis sem precedentes” obriga a respostas aos problemas de fundo e a um trabalho de articulação e envolvimento de todos os setores, entidades competentes e a sociedade civil.

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