Incêndios: Calor, vento forte, seca. "Os próximos dias não serão mais fáceis" e situação poderá agravar

9 jul, 18:34

Secretária de estado da Proteção Civil reforça que o mais importante é manter as pessoas longe de espaços rurais e florestais.

Com o aumento das temperaturas, este sábado fica, à semelhança dos últimos dois dias, marcado por vários incêndios que lavram de norte a sul do país.

Em entrevista à CNN Portugal, a secretária de estado da Proteção Civil (PROCIV), Patrícia Gaspar, adianta que a evolução dos diversos focos de incêndio está a ser "acompanhada com muita atenção" e que este cenário excecional é resultado de um conjunto de elementos que promovem a evolução dos fogos.

"Estamos perante um cenário meteorológico de enorme complexidade, com uma série de fatores que se conjugam de forma negativa para a progressão dos incêndios. Temos temperaturas elevadíssimas, vento forte, humidades relativas muito baixas e ainda um quarto elemento que prejudica ainda mais este cenário: a seca severa no nosso país", diz Patrícia Gaspar, que explica que, por este conjunto de motivos, há uma maior disponibilidade de todos os matos para arder.

Todos estes fatores fazem com que qualquer ignição se descontrole de forma galopante. 

"O que temos em mãos são: incêndios descontrolados, progressões rapidíssimas, colunas de fumo enormes. Os próximos dias não serão mais fáceis, pelo contrário, tudo aponta para que agrave", continua a especialista, reforçando que o país se encontra em situação de alerta e que há comportamentos que não podem mesmo ocorrer nos espaços rurais e florestais.

"Tolerância zero. Não se pode fazer lume, não se pode fumar, mão se pode usar máquinas, não se pode lançar foguetes", lembra, apelando a que todos os cidadãos estejam em sintonia com as autoridades para que possa ser melhorada a capacidade de resposta dos meios no local.

Também este sábado, o ministro da Administração Interna alertou para o que considera ser a “pior conjugação de fatores desde Pedrógão Grande” em termos de risco de incêndios em Portugal, apelando a que se “faça tudo” para evitar que essa situação se repita.

Capacidade de resposta

Há vários incêndios ativos em Portugal, mas a secretária de estado da Proteção Civil garante que irá continuar a haver uma capacidade de resposta eficiente.

"Temos neste momento um dispositivo que ao longo dos últimos anos tem vindo a ficar estabilizado. Temos cerca de 13 mil operacionais, um dispositivo aéreo com 60 meios. O que temos de garantir é que este dispositivo pode efetivamente atuar e o que posso dizer é que os incêndios estão a ser combatidos e a resposta está a ser eficaz, mas os meios são efetivamente finitos. Temos que garantir que não chegamos a esse limiar, que não temos mais ocorrências"

Patrícia Gaspar lembra que esta sexta-feira foi o dia com o maior número de incêndios rurais desde dia 1 de janeiro, com 120 incêndios. "Há dez anos tínhamos dias com 500 incêndios diários", diz.

A secretária de estado da PROCIV lembra que os meios têm sido reforçados que desde 2017, ano marcado pelo grande incêndio florestal em Pedrógão Grande, que deflagrou a 17 de junho no concelho de Pedrógão Grande, em Leiria, tendo alastrado a alguns concelhos vizinhos e que matou 66 pessoas, deixou 253 feridos e atingiu 261 habitações.

"Estamos a fazer tudo para que as ocorrências excecionais não existam", lembra, e reforça que o mais importante é manter as pessoas longe de espaços rurais e florestais. "As árvores voltam a crescer, as casas reconstroem-se, as vidas humanas não. Isso é o mais importante".

Este sábado, cerca das 18:30, o ministro da Administração Interna vai estar reunido com os ministros da Defesa Nacional, da Saúde, do Ambiente e Ação Climática e da Agricultura e Alimentação, para fazerem uma reavaliação das medidas adotadas no âmbito da Declaração de Situação de Alerta devido aos incêndios

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