"Vai ser como Chernobyl, não é?": Ucrânia diz ter escuta telefónica que prova que a Rússia destruiu barragem de Nova Kakhovka

9 jun 2023, 10:59
Ucranianos enfrentam catástrofe ambiental após colapso da barragem Nova Kakhovka

No Telegram, os Serviços de Segurança da Ucrânia publicaram um áudio, durante o qual um alegado militar russo admite que um grupo de sabotadores leal ao Kremlin foi o autor da explosão

Os Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU) alegam ter intercetado uma chamada telefónica que prova que a Rússia é responsável pela destruição da barragem de Nova Kakhovka.

No Telegram, o organismo publicou um áudio, com cerca de 90 segundos, durante o qual um alegado militar russo admite que um grupo de sabotadores leal ao Kremlin foi o autor da explosão.

"Não foram eles [ucranianos] que o fizeram. O nosso grupo de sabotagem está lá. Eles queriam assustar as pessoas com esta barragem. Não correu como planeado. Tiveram mais que o esperado", pode ouvir-se na conversa, alega o SBU, que já abriu uma investigação ao sucedido.

"Ao fazer explodir a barragem da central hidroeléctrica de Kakhovka, a Federação Russa provou finalmente que é uma ameaça para todo o mundo civilizado. Afinal, só um verdadeiro Estado terrorista pode provocar uma catástrofe humana e ambiental desta dimensão. E será definitivamente responsabilizado por esse facto", afirmou Vasyl Malyuk, diretor do órgão, citado na nota publicada nas redes sociais.

O jornal britânico The Guardian publicou a transcrição da chamada, que pode consultar abaixo:

Pessoa 1: “Notícias. Ontem havia um vídeo num canal de Telegram - estava lá um soldado, com a cara tapada, de uniforme. E ele diz que não há inundações, que as pessoas estão a viver normalmente. E atrás dele há uma janela e vê-se água até aos joelhos.”

Pessoa 2: “É engraçado. É sobre o facto de a central hidroelétrica ter sido destruída?”

Pessoa 1: “Sim. O principal problema é que a central hidroelétrica arrefece o reator nuclear.”

Pessoa 2: “Não faz mal. Eles fizeram-no a eles próprios. Vai explodir e pronto.”

Pessoa 1: “Foram os nossos gajos que o fizeram. Não foram eles, foram os nossos.”

Pessoa 2: “A sério, foram os nossos? Disseram que foram os khokhols [termo depreciativo para os ucranianos] que a rebentaram.”

Pessoa 1: "Não foram eles [ucranianos] que o fizeram. O nosso grupo de sabotagem está lá. Eles queriam assustar as pessoas com esta barragem. Não correu como planeado. Tiveram mais que o esperado."

Pessoa 2: “Vai ser como Chernobyl, não é?”

Pessoa 1: "Construída na década de 1950. Foi-se abaixo rapidamente, foi-se abaixo.”

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