O que dirá Zelensky aos poderosos e aos ultra-ricos?

23 mai, 07:01
Volodymyr Zelensky (Ukrainian Presidential Press Office via AP)

ANÁLISE. Presidente da Ucrânia participa esta segunda-feira, a distância, na conferência de Davos. A mesma que recebeu oligarcas russos e até Vladimir Putin ao longo dos anos. Irá Zelensky ser conciliador ou agressivo na reunião anual dos mais poderosos e mais ricos do mundo?

Nota: acompanhe em direto a intervenção de Zelensky esta segunda-feira, 23 de maio, na CNN Portugal. A organização de Davos agendou o discurso para as 10 horas de Portugal. Assista em direto, na televisão ou no site.

 

Volodymyr Zelensky não é só um Presidente, não é só o rosto da resistência ucraniana frente à Rússia, não apenas se tornou uma espécie de popstar mundial, de quem até a roupa é leiloada para angariação de fundos.

Ele é talvez o mais requisitado líder de um país, seja para ser anfitrião de chefes de Estado e de governo (António Costa foi um dos que o visitou recentemente), seja para ser convidado por meio mundo para falar em Parlamentos nacionais ou em organizações globais.

Foram já dezenas de receções e intervenções em países e organizações do ocidente que apoiam a Ucrânia contra a Rússia, desde a invasão de 24 de fevereiro, há quase três meses. Tanto que Zelensky corre o risco de perder a eficácia, pela repetição da mensagem, ainda que tenda a adaptá-la aos países que o convidem ou visitam.

Provavelmente, esta segunda-feira será diferente.

Quando, logo ao início da manhã, Volodymyr Zelensky falar à distância como convidado do Fórum de Davos, poderá ser de novo convocatório, como tem sido, tentando agremiar o apoio dos mais influentes do mundo para a causa ucraniana.

Ou poderá confrontá-los com o facto de terem recebido e convidado políticos do regime russo e os seus oligarcas ao longo dos últimos anos.

Ou, é claro, poderá fazer ambas as coisas.

O Fórum Económico Mundial recebe anualmente os principais políticos mundiais, presidentes de grandes corporações e milionários de todo o mundo. O encontro, realizado em Davos regularmente – regularidade que foi posta em causa pela pandemia da covid-19 -, tem como objetivo produzir pensamento e encaminhar ações sobre grandes tendências e grandes problemas mundiais. Mas é também alvo de críticas por reunir a elite global, cujo poder, riqueza e influência têm crescido à medida que aumenta também a desigualdade.

Acontece que Davos recebeu, nos últimos anos, muitos dos oligarcas russos que agora foram proscritos por países do ocidente – e o próprio Vladimir Putin. O presidente da Rússia interveio no ano passado, discursando na edição do Fórum Económico Mundial que se realizou por meios virtuais por causa da pandemia. E foi convidado também em 2015, no ano a seguir à anexação da Crimeia pela Rússia.

Como recordou a CNN, "neste momento da história em que o mundo tem uma janela de oportunidade curta e única para passar de uma era de confronto para uma era de cooperação, a capacidade de ouvir a sua voz - a voz do presidente da Federação Russa - é essencial. ", disse Klaus Schwab, fundador de Davos, ao apresentar Putin em 2021. Schwab tem sido um defensor do estabelecimento de relações económicas e comerciais entre países precisamente como forma de firmar condições para a paz.

Este ano, nem Vladimir Putin nem proeminentes oligarcas de outras edições estarão presentes.

Estará sim a voz e a imagem de Volodymyr Zelensky. Com direito a discurso e toda a atenção de muitos dos mais poderosos do mundo.

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